segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O Velho, o Rapaz e o Burro: (Ou uma fábula sociopolítica)

O CONSULADO de Armando Guebuza constitui em muitos aspectos uma mudança de paradigmas na dinâmica, histórica, económica e política nacional. Nunca antes, Moçambique fora capaz de se impor no mercado internacional como agora acontece.
O país, é, em alguns produtos estratégicos uma referência obrigatória. Correntes há, no mundo que o apresentam como parte importante das estratégias para a solução da crise de alguns países (Portugal por exemplo) e aumento de capital de muitos outros (Austrália, Brasil, Japão, China, Rússia, EUA). O que então faz Moçambique ser apreciado por gentes de fora, quem vem à busca de oportunidades de emprego, investir, se este país é pobre e o Estado falhado? Quem são estes aventureiros que se atrevem a investir num país que é um “barril de pólvora”? Estas perguntas me intrigam e me deixam sem saber se o país é o que os outros dizem ou o que nós dizemos.
É verdade que o país ainda tem os seus problemas, aliás, acabar com a pobreza é uma utopia, das mais quiméricas que se conhecem. Pode-se, sim, reduzi-la, mas nunca vai acabar, é uma utopia até em sociedades ricas, há ricos pobres; quer dizer há ricos menos ricos que outros ricos, ou seja, ricos pobres. Porém, este não deve ser argumento para que as pessoas continuem pobres, mas a sua necessidade de sair da miséria não as pode fazer ignorar os ganhos colectivos que podem ser a saída da pobreza. Ademais há diferentes tipos de pobreza: a espiritual, a material, a emocional, e mais. Pode-se ser rico materialmente, mas espiritualmente mendigo.
A reestruturação da “corte”, de que falamos em edições anteriores, está a revelar o quanto o maquiavelismo sustenta a política doméstica. A catalogação dos últimos 10 anos, como período de deterioração e letargia da economia e do bem-estar social dos moçambicanos, leva-me a duvidar das reais intenções da escolha deste período para análise. Por exemplo, me ocorre este: Guebuza está no poder há 8 anos, portanto o tempo anterior ao seu consulado não é escrutinado ou não interessa a certos arautos que seja analisado. Porquê? Se calhar porque há dez anos éramos mais desenvolvidos, impolutos (sem corrupção, sem criminalidade, sem nepotismo) com elevado índice de liberdade de imprensa, de expressão e de opinião. Será?
O debate não é concreto, os seus parâmetros difusos, as teses são abstractas, e as conclusões pré-concebidas. Daí que o referido debate dos assuntos bastante divulgados sejam os de foro pessoal, a devassa da vida pessoal e a argumentação, tendencial e dolosamente “ad hominem”. Onde o insulto, a calúnia, a intriga e a má-criação são místeres. O intuito, é que a todo custo, a qualquer preço, incluindo a unidade e coesão internas, e num Richellieunismo barato forçar que aquele, desgastado, indique o seu sucessor. E depois o que acontecerá com seu sucessor? Vai acontecer tudo aquilo que sabemos, que aliás aconteceu com tantos outros que eram tidos como presidenciáveis: Vão ser despidos até ao âmago das suas almas até que sucumbam ou abdiquem a favor dos interesses Richellianos para que no fim, os árbitros apareçam como os salvadores e arcanjos do bem e fiquem, naturalmente, os únicos jogadores em campo. No dia seguinte os insucessos e o caos de agora, milagrosamente transformar-se-ão em ganhos do povo.
Infelizmente, os problemas e desafios reais do país não estão a ser debatidos, nem interessam, pois, aos paladinos lhes falta argumentos e exemplos de trabalho. A existir, pois, um debate nacional sério e concreto, avaliaríamos o que nos foi prometido, o que foi feito, o que não foi feito, e exigiríamos que o contrato social fosse observado, mas não, é preciso atacar Guebuza e seus seguidores, com recurso a argumentos metafísicos, torpes, escusos e muito menos mesquinhos.
“Esta não é a Frelimo que criamos!” Qual é a Frelimo que criaram? Onde está a Frelimo que criaram? A Frelimo não é um objecto, estático, é sim uma convicção, forte, de independência, de liberdades e de prosperidade. E como tal, deve adaptar-se aos tempos, sob risco de desaparecer. Olhai à vossa volta. Onde estão os nossos “aliados naturais”? Extintos por inadaptação. Este debate ideológico não faz sentido, não pode o partido ser guiado por ideias e valores axiológicos, dogmáticos, seria um perigo fatal. O mérito de qualquer pessoa, consiste em saber lidar com cada conjuntura, isto é, fazer um upgrade dos seus princípios, ajustá-los aos tempos em que vive, sem abandoná-los. O que não deve fazer é achá-los imutáveis, estáticos, verdadeiros e ortodoxos. Esta visão e abordagens contrariam o princípio e espírito revolucionários. A revolução é dinâmica.
A Frelimo não pode ser a “vontade de alguns”, mas sim da maioria, seguindo o espírito democrático e participativo que guia o grupo. A vontade da maioria irá se arrastar até 2017 e até lá a minoria terá que se contentar com esta realidade. Houve tempos que a minoria dominava, este é o momento da maioria. Não deve? E porquê? Ler +

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