terça-feira, 20 de janeiro de 2015

RECURSOS MADEIREIROS: Corte e exploração ameaça espécies

MOÇAMBIQUE está a perder anualmente milhões de dólares devido ao corte ilegal de espécies madeireiras de alto valor comercial. Estes dados estão contidos no 5º Relatório Nacional da Implementação da Convenção da Biodiversidade, produzido e tornado público no ano passado.
O documento, a que o nosso Jornal teve acesso, indica que o corte ilegal é responsável pela sobrexploração de algumas espécies de árvores, contribuindo para a sua extinção a longo prazo. Por exemplo, só em 2012 foram exportados ilegalmente entre 189.615 e 215.654 metros cúbicos de madeira, excedendo tanto as exportações licenciadas como os níveis de corte permissíveis através do licenciamento florestal em 154.030 metros cúbicos.
Com a exportação ilegal da madeira em 2012 Moçambique perdeu cerca de 29 milhões de dólares norte-americanos, refere o documento.
O 5.º Relatório Nacional da Implementação da Convenção da Biodiversidade refere ainda que a sobrexploração da fauna terrestre se verifica principalmente através da caça furtiva para fins de subsistência bem como para fins comerciais.
Verifica-se igualmente o abate de animais selvagens ameaçados de extinção. Por exemplo, entre 2006 e 2012 foram abatidos em Moçambique 67 rinocerontes e as tendências de caça furtiva do elefante são alarmantes. Entre 2009 e 2011 o rácio de carcaças para Mágoè, província de Tete, manteve-se elevado (8,4 e 11 por cento, respectivamente).
No entanto, a mesma triplicou na Reserva Nacional do Niassa, de cerca de 83 para 271, respectivamente, e entre 2011 e 2013 o número de carcaças vistas no Parque Nacional das Quirimbas, em Cabo Delgado, subiu de cerca de 14 para 84. Por outro lado, devido à pesca ilegal para o comércio internacional com impactos negativos às suas comunidades, algumas espécies marinhas, como Tubarão Serra Dentuço (Pristis microdon), Tubarão Martelo (S. Lewini) e Raia Manta (Manta sp.) foram incluídas no conjunto das espécies ameaçadas de extinção, tendo sido colocadas nesta lista em 2013.
O relatório realça que a captura de algumas espécies de tubarão tende a ser significativa, algumas das quais estão em vias de extinção, segundo uma indicação da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Vários estudos mostram a redução da captura de pescado em Moçambique. Segundo a USAID (2010), as capturas comerciais de pescado reduziram de 30.210 toneladas em 2004 para 18.437 toneladas em 2008. No mesmo período a captura do camarão de superfície, considerado um recurso completamente explorado, reduziu de 11.889 toneladas para 7482 toneladas. Houve também uma redução na captura de pescado de 185.210 toneladas em 2000 para 154.305 em 2010, lê-se no documento.
O relatório adianta que as práticas agrícolas predominantes, o crescimento da actividade pecuária e a crescente actividade mineira estão a contribuir ligeiramente para o aumento da poluição. Há também receios de que com as mudanças climáticas venham originar períodos de seca mais quentes e longos e as chuvas mais imprevisíveis, aumentando os riscos de perda de culturas e secas, inundações e queimadas descontroladas.
A outra preocupação manifestada neste documento relaciona-se com a presença da população humana dentro das áreas de conservação, que a par da caça furtiva e o conflito entre humanos e fauna bravia, coloca desafios muito elevados para o sucesso da conservação em Moçambique. Curiosamente, destaca o relatório, as espécies mais procuradas pelos caçadores furtivos ou comerciais são as que representam maior potencial turístico e de valor para a conservação. Notícias

Sem comentários:

Enviar um comentário