quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Prostituição infantil inquieta em Cuamba

A PROSTITUIÇÃO infantil, um fenómeno que está a chocar os residentes do distrito de Cuamba, no Niassa, pela forma rápida como surgiu e se propaga nesta região do país, onde as autoridades governamentais garantem que vão fazer tudo para a sua mitigação.
Uma das primeiras acções levadas a cabo pelas autoridades locais é a sensibilização das famílias sobre os direitos da criança que estão a ser violados, aproveitando-se da sua vulnerabilidade, por parte de cidadãos estrangeiros.
O mais frequente nos últimos dias na cidade de Cuamba e arredores é ver uma rapariga com menos de 18 anos vivendo com um estrangeiro, particularmente de cor branca, cuja idade pode ser duas ou três vezes mais. Algumas dessas raparigas não escondem e afirmam a quem os interpela que se trata de esposo ou namorado, partilhando em muitos casos o mesmo tecto.
Alguns cidadãos residentes em Cuamba contactaram recentemente a nossa Reportagem naquela cidade para manifestar o seu descontentamento em relação ao assunto por acharem que promove casamentos prematuros, numa altura em que há um esforço por parte da sociedade civil para pôr termo à prática.
Pedro Garcia, comerciante em Cuamba, manifestou a sua indignação pelo fenómeno. “Sabemos todos que cidadãos estrangeiros que aqui se encontram a trabalhar em projectos fomentam a prostituição infantil, aproveitando-se da vulnerabilidade socioeconómica das nossas concidadãs”, disse o nosso entrevistado.
Marina Alice, doméstica de 70 anos de idade, condena a prostituição infantil que na sua óptica é fomentada por trabalhadores estrangeiros que prestam serviço no projecto da linha férrea, no âmbito do escoamento do carvão mineral para o terminal multiuso de Nacala-a-Velha a partir de Moatize, província de Tete, que passa por Cuamba.
“Enganam as raparigas com roupa, calçado e outras coisas adquiridas fora do país para abusarem sexualmente delas. Isso é inadmissível. Eles fazem o que nos seus países é condenável e dá direito à prisão”, referiu Marina Alice.
Simão Naueha, director do Serviço distrital do Género, Criança e Acção Social em Cuamba, reconheceu que a prostituição infantil está a assumir proporções preocupantes e acrescenta que se chegou a este nível devido ao facto de alguns pais encobrirem o fenómeno. Ele justificou a sua acusação, alegando que há chefes de agregados familiares que tiram dividendos do envolvimento das suas filhas com estrangeiros.
Como disse, se esta prática persistir, Cuamba poderá ter muitos casos de gravidezes indesejadas e crianças desamparadas.
Simão Naueha prometeu envolver as organizações da sociedade civil local no trabalho de sensibilização, em particular as igrejas e as autoridades tradicionais, cuja mensagem é acatada no seio as comunidades. Notícias
 
CARLOS TEMBE

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