Madeireiros moçambicanos convocaram um encontro com a governadora da
província de Sofala para denunciar irregularidades cometidas por
operadores estrangeiros maioritariamente chineses. Mas os chineses não
compareceram.
Num debate bastante aceso com a governadora provincial de sofala, Maria
Helena Taipo, os operadores florestais moçambicanos acusaram os
madeireiros chineses de não canalizarem, como ficou acordado, os 20 por
cento dos benefícios para as comunidades locais.
Rui Gonçalves, da Associação de Operadores Florestais de Sofala,
denunciou ainda a falta de condições laborais: "Fora os 20 por cento que
não são canalizados para as comunidades, penso que é uma preocupação da
senhora governadora saber em que mãos pára, de facto esse dinheiro,
cuja falta realmente prejudica aquela população. Os trabalhadores
trabalham sem qualquer proteção, sem dignidade, nem se quer casas de
banho têm."
A DW África tentou sem sucesso gravar uma entrevista com os operadores
chineses. Mas segundo eles, a entrega destes valores está sob a
responsabilidade dos seus assessores. Um deles, que trabalha para a
empresa Hand Chian Limitada, alegou que nem o próprio Governo se tem
preocupado com o assunto.
Para onde foram os 20 por cento?
Questionada sobre esta situação, Maria Augusta, dos serviços províncias
de floresta e fauna bravia, justificou: "Estamos a trabalhar no sentido
de melhorar a comunicação com a base. Houve um interregno, sim, mas um
interregno ligado à reorganização do próprio processo. Então, a
reorganização originou este espaço e acreditamos que vai iremos
ultrapassada esta questão o mais rapidamente possível."
Estes depoimentos, foram minimizados por Rui Gonçalves que fez mais
denúncias: "A realidade é que neste momento não existe controlo sério
das florestas. Nas florestas, cada um está ali para sacar, não é para
mais nada. Não há qualquer controlo, as áreas são dadas aos amigos
enquanto muitas outras pessoas não têm áeras para explorar. Há um
desiquilíbrio total."
Operadores privados chamados a contribuir no combate à corrupção
Entretanto, a governadora da província central de Sofala, Maria Helena
Taipo, garantiu uma guerra sem trégua contra os operadores que não
obedecem a lei e manifestou a sua preocupação: "A fraca participação do
setor privado e outros intervenientes na fiscalização dos recursos é
também um facto que nos preocupa. Para além da construção de salas de
aulas e fontes de abastecimento de água, a nossa comunidade necessita
também de mobiliário escolar, entre outros."
A governadora solicitou por outro lado uma cooperação mais concreta por
forma acabar com esta situação que em nada beneficia as comunidades:
"Queremos, mais uma vez, reiterar o nosso pedido de colaboração e
contribuição para o cumprimento da lei de terras. Só assim poderemos
cessar com os desmandos, a corrupção e os problemas que enfermam o setor
de florestas em Moçambique."
Refira-se que mais de oito mil toneladas de madeira provenientes das
províncias de Tete, Manica, Inhambane e Sofala são exportadas
diáriamente através do porto da Beira. Para Rui Gonçalves, 90 por cento
desta exportação é ilegal e envolve as autoridades governamentais e
líderes comunitários. Deutsche Welle
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