O líder da RENAMO reafirma a intenção de governar nas províncias em que
reclama ter ganho nas últimas eleições. A FRELIMO ainda pode recuar na
sua decisão, diz Afonso Dhlakama.
Depois de ser
chumbado no Parlamento moçambicano
o ante-projeto das autarquias provinciais# submetido pela Resistência
Nacional Moçambicana (RENAMO), na passada quinta-feira (30.04), Afonso
Dhlakama garante que não vai recuar.
"Não quero sentir-me obrigado a termos de governar à força. Quero
governar ou nomear as pessoas constitucionalmente." A reprovação do
documento teve motivações políticas, segundo o líder do maior partido da
oposição.
Dhlakama diz que a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), o
partido no poder, deve pensar melhor na decisão: "[Com] a minha idade,
não quero nem impedir investimentos, nem assustar investimentos
nacionais e internacionais. Portanto, lanço o meu apelo ao [Presidente]
Nyusi e à FRELIMO para refletirem bem na decisão deles. Porque ainda é
cedo, muita coisa pode ser recuperada."
Sem agitação, RENAMO promete governar
O presidente da RENAMO tranquilizou a população, garantindo que não
haverá nem manifestações, nem agitação popular, como algumas correntes
já previam caso o ante-projeto não passasse no Parlamento.
Num comício popular que orientou este sábado no distrito de Pebane, na
província central da Zambézia, Dhlakama voltou a prometer que "ainda
este ano" o seu partido vai governar.
No entanto, o analista Egídio Vaz tem muitas dúvidas quanto à
possibilidade de a RENAMO governar as autarquias provinciais com base no
ante-projeto chumbado pelo partido no poder na Assembleia da República.
Há, porém, outras formas de discutir o assunto: "A FRELIMO diz que está
disponível para discutir a descentralização, mas não nos termos
propostos pela RENAMO. Ou seja, não estão fechadas todas as portas."
Egídio Vaz critica a estratégia da RENAMO antes do debate do
ante-projeto no Parlamento. Segundo ele, a RENAMO e o MDM (Movimento
Democrático de Moçambique) podiam ter surpreendido o partido no poder e
votado a favor do Orçamento do Estado e do Plano Económico e Social.
Como não o fizeram, perderam uma boa oportunidade de mostrar que estavam
dispostos a "consensos alargados" sobre matérias fundamentais, diz Vaz.
Esta segunda-feira (04.05) de manhã, Dhlakama disse aos quadros do seu
partido na cidade de Quelimane que, se houver vontade política da parte
do Governo, o ante-projeto das autarquias provinciais poderá ser
transformado num acordo político, à semelhança do que aconteceu com a
lei eleitoral. Todavia, o analista Egídio Vaz diz que isso seria voltar à
"estaca zero". Deutsche Welle
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