Cinco indivíduos, três dos quais professores, estão detidos no distrito de Murrupula, em Nampula, acusados de terem profanado campas na zona do régulo Murrupa, e extraíram 30 ossos humanos para vender a um cliente supostamente interessado no negócio.
A detenção do grupo foi tema de conversa no distrito, cujos habitantes, incluindo alguns dirigentes, ficaram chocados e indignados.
António Muavanoa, residente na área sob sua jurisdição daquele régulo, disse em conversa com a nossa Reportagem que o assunto está a indignar muitos habitantes, porque a venda de ossos humanos é um fenómeno novo naquele distrito.
O nosso entrevistado acrescentou que o assunto se torna mais preocupante quando se sabe que estão também envolvidos professores, considerados educadores e reservas morais da sociedade. Manuel Muchua, que vive num dos bairros da vila-sede distrital, foi um dos que a nossa Reportagem entrevistou a propósito da profanação de campas, tendo igualmente lamentado o envolvimento de professores. Segundo ele, isso pode vir a criar um clima de medo no seio dos alunos, porque as crianças podem não mais confiar nos professores.
“Elas podem pensar que se um professor tem coragem de destruir uma campa para retirar ossos de um defunto, então pode matá-las para retirar-lhes os ossos”, disse.
O director distrital da Educação e Desenvolvimento Humano em Murrupula, Alfredo Salimo, afirmou que o distrito está chocado porque a venda de ossos humanos é um caso inédito na região, sobretudo com o envolvimento de professores.
“Para nós como Educação, aqui em Murrupula, o envolvimento deles no desenterro de ossos humanos foi um golpe. O professor é e deve ser espelho da sociedade e outras boas práticas populares”, realçou Salimo.
Alfredo Salimo acrescentou que porque o seu sector não pactua e nunca pactuará com este tipo de indivíduos, serão tomadas medidas exemplares não só para responsabilizá-los pelo acto, como também para desencorajar eventuais interessados no negócio.
A fonte disse ainda que o comportamento daqueles professores perturbou o ambiente de aulas na escola, mas tudo está sendo feito para que as crianças não fiquem com medo a ponto de não irem à escola.
Por seu turno, Alzira Manhiça, Administradora de Murrupula, confirmou-nos o clima de indignação e choque vivido naquele distrito, na sequência da profanação de campas no regulado de Murrupa.
“Na verdade estamos indignados e chocados com este caso macabro. Por outro lado, o professor deve ser a luz da nossa sociedade. O que aconteceu no nosso distrito é inaceitável”, frisou Manhiça.
Entretanto, a Polícia da República de Moçambique já confirmou a detenção dos 5 indivíduos envolvidos na profanação de campas naquele distrito, depois de terem sido encontrados na posse de 30 ossos que retiraram dos referidos túmulos, encontrando-se neste momento à espera de julgamento.
De acordo com o porta-voz do Comando Provincial da corporação em Nampula, Sérgio Mourinho, eles foram encontrados com aquela quantidade de ossos por não os terem conseguido vender, porque o principal cliente morreu antes de comprá-los. Notícias
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