segunda-feira, 8 de junho de 2015

"O que é que a África fez por mim?"

por José Freitas, rabiscosdeummaldisposto@hotmail.com

Estava a ter um passeio agradável pela Internet, com uma velocidade bem constante e sem grandes momentos de publicidade enganosa e tal, quando de repente reparei no seguinte título: "Doar dinheiro para África? O que a África fez por mim?" Achei um título bastante sensacionalista mas resolvi ir lá espreitar, porque de certo modo até concordo com a afirmação, sendo eu europeu e fartinho de estar constantemente a ser bombardeado com tretas de solidariedade.
A personalidade em causa é Floyd Mayweather, um pugilista norte-americano de raça negra que há dias venceu Manny Pacquiao num combate que valia 180 milhões de dólares. Mayweather diz que ouve pessoas dizerem que ele tem tanto dinheiro, porque não doa algum para África? "Bem, o que é que África fez por mim? O que é que África me deu a mim e aos meus filhos?", pergunta ele
Não conheço a história do homem, mas julgo que de certo modo está correto. Ele não é obrigado a ajudar África. Assim como nenhum cidadão europeu ou asiático é forçado a fazê-lo. Porém, parece que de repente tornou-se praticamente uma obrigação e quem diz "não!" é quase julgado em praça pública.
Vale sempre a pena lembrar que o continente africano é extremamente rico em matéria-prima. A quantidade de recursos naturais existente naquele continente é verdadeiramente fantástica, contudo, a corrupção é de tal forma que torna-se praticamente impossível que o povo mais carenciado saia da miséria. Para além disso, quantas vezes já ouvimos ou lemos que os nossos donativos foram em vão?
Há imensa propaganda enganosa em redor do tema "Ajuda África", principalmente quando os principais líderes daqueles países vivem bem acima da qualidade de vida de um simples cidadão daquelas terras. Confesso que já deixei de pensar em ajudar o continente africano há imenso tempo, porque de facto sinto que as ajudas que são feitas são praticamente em vão.
Os líderes daqueles países estão noutro planeta e não sou eu, um cidadão comum de outro continente, que vai mudar tudo. Já para não dizer que vivo num país onde há claros sinais de pobreza e pessoas em situações precárias, que talvez mereçam ainda mais a tal devida ajuda. O dinheiro não abunda deste lado, por isso tem de ser bem gerido até no momento de fazer donativos. Ah! Não precisamos de ser hipócritas quando não queremos ajudar, basta dizer de forma livre: não. Diário de Notícias

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