quarta-feira, 15 de julho de 2015

Circular angolana sobre ONG vista como forma de controlo governamental

Uma nova circular emitida em Luanda determina que todas as ONG têm de fornecer os dados pessoais dos seus trabalhadores. O documento é criticado e acusado de ser mais uma forma de controlo por parte do Governo angolano.

O Executivo angolano emitiu uma circular, a 07.07, que obriga todas as organizações não-governamentais (ONGs) a submeterem uma lista nominal com dados pessoais dos seus trabalhadores, tanto nacionais como estrangeiros.

Segundo várias fontes ligadas às ONG, torna-se praticamente impossível o seu trabalho independente e imparcial, enquanto representantes da sociedade civil em Angola.

Rafael Morais, coordenador da SOS Habitat - Ação solidária, disse à DW África que se trata de um processo que está em curso desde março de 2015, data de saída do decreto presidencial que regula a atividade das ONG, mas que a sua organização não apoia.

Rafael Morais (RM): As ONG não são obrigadas a fornecer os nomes dos seus funcionários de três em três meses, conforme está estipulado no documento. Isso viola, de certa maneira, aquilo que são os regulamentos da própria lei das associações. As associações são independentes e livres, desde que no exercício da sua atividade não violem aquilo que está estipulado na lei. Oficialmente, a SOS Habitat não recebeu esse documento. Nós não temos a obrigação de fornecer esses dados sem saber qual é o objetivo primário deste pedido de nomes dos integrantes da SOS Habitat.

O Executivo angolano emitiu uma circular, a 07.07, que obriga todas as organizações não-governamentais (ONGs) a submeterem uma lista nominal com dados pessoais dos seus trabalhadores, tanto nacionais como estrangeiros.

Segundo várias fontes ligadas às ONG, torna-se praticamente impossível o seu trabalho independente e imparcial, enquanto representantes da sociedade civil em Angola.

Rafael Morais, coordenador da SOS Habitat - Ação solidária, disse à DW África que se trata de um processo que está em curso desde março de 2015, data de saída do decreto presidencial que regula a atividade das ONG, mas que a sua organização não apoia.

Rafael Morais (RM): As ONG não são obrigadas a fornecer os nomes dos seus funcionários de três em três meses, conforme está estipulado no documento. Isso viola, de certa maneira, aquilo que são os regulamentos da própria lei das associações. As associações são independentes e livres, desde que no exercício da sua atividade não violem aquilo que está estipulado na lei. Oficialmente, a SOS Habitat não recebeu esse documento. Nós não temos a obrigação de fornecer esses dados sem saber qual é o objetivo primário deste pedido de nomes dos integrantes da SOS Habitat.

José Patrocínio (JP): Eu penso que este documento para que as organizações tenham que dar nominais dos trabalhadores não é só uma questão burocrática, mas é uma questão até que atrapalha, porque todas as organizações que estão legalizadas, que têm trabalhadores e contratos, obviamente já têm relações com o Ministério do Trabalho, com a Segurança Social e com as Finanças, e portanto não me parece que seja fácil ter de se divulgar esta lista a este novo instituto. Até mesmo porque eles podem ter acesso a essas informações se contactarem as Finanças, a Segurança Social ou o Ministério do Trabalho. Na realidade vai aborrecer e chatear as organizações que estão a trabalhar, porque não me parece que isto vá dar uma informação maior ou que as outras instituições ainda não tenham.

DW África: Mas subjacente a isto não poderá estar um controlo político das ONG?

JP: Sim, mas mais do que o controlo é transmitir-nos a ideia a nós de que estamos a ser controlados. É mais com essa intenção, porque o controlo já existia. Todas as organizações que estejam a desenvolver as suas atividades legalmente já têm relações com instituições às quais prestam informações. Transmitem esta ideia de pressão para nos atemorizar e assustar, porque o controlo já é feito ao nível das outras instituições. Deutsche Welle

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