sábado, 4 de julho de 2015

José Eduardo dos Santos descarta renunciar ao poder e adverte opositores

O presidente da República e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), José Eduardo dos Santos, descartou qualquer possibilidade de abdicar do seu mandato atual à frente dos destinos do país antes das próximas eleições gerais agendadas para 2017.

Luanda - O presidente da República e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder), José Eduardo dos Santos, descartou quinta-feira qualquer possibilidade de abdicar do seu mandato atual à frente dos destinos do país antes das próximas eleições gerais agendadas para 2017.

Falando durante a abertura de uma sessão extraordinária do Comité Central do seu partido, Dos Santos afirmou que uma tal opção seria "insensata" nas circunstâncias atuais.

"Em certos círculos restritos era quase dado adquirido que o Presidente da República não levaria o seu mandato até ao fim, mas é evidente que não é sensato encarar esta opção nas circunstâncias atuais", clarificou.

Para preparar as próximas eleições presidenciais e legislativas, ele convidou, entretanto, os militantes do seu partido a iniciarem "reflexões profundas" sobre a seleção de um novo líder partidário e de um candidato a Presidente da República.

A este propósito, ele aconselhou os militantes do partido no poder em Angola a priorizar a escolha do candidato presidencial antes da seleção dos candidatos  aos demais cargos de direção do MPLA, incluindo o de presidente do partido.

"(...) deveremos estudar com muita seriedade como será construída a transição. Na minha opinião, é conveniente escolher o candidato a Presidente da República (...) antes da eleição do presidente do partido no VII Congresso Ordinário", em 2016, afirmou.

Para Eduardo dos Santos, o estudo das soluções a equacionar devem servir para "reafirmar o caráter democrático do nosso Partido e consolidar o regime democrático da República de Angola".

Considerou o MPLA como "o maior, o mais organizado, o mais capaz e o mais sólido dos partidos existentes em Angola" e que tem sabido "encarar e vencer todos os desafios", devendo, por isso, apoiar o Estado "em todas as suas ações preventivas para preservar a paz, a estabilidade e a unidade nacional".

"Não se deve permitir que o povo angolano seja submetido a mais uma situação dramática como a que viveu em 27 de Maio de 1977, por causa de um golpe de Estado", disse Eduardo dos Santos numa referência a uma tentativa de tomada do poder,  gerada dentro do MPLA e liderada por Nito Alves e José Van-Dúnem, pouco tempo depois da proclamação da independência, sob presidência de Agostinho Neto.

[A repressão violenta desencadeada na sequência do fracassado golpe vitimou milhares de pessoas. Até hoje, Eduardo dos Santos e o grupo dirigente do MPLA não permitiram o debate público e o esclarecimento de muitos dos fatos então ocorridos.]

"Quem quer alcançar o cargo de Presidente da República e formar governo que crie, se não tiver, o seu partido político nos termos da Constituição e da Lei, e se candidate às eleições", advertiu, insistindo que "quem escolhe a via da força para tomar o poder ou usar para tal meios anticonstitucionais não é democrata. É tirano ou ditador", disse José Eduardo dos Santos. África 21

Panapress

Sem comentários:

Enviar um comentário