O vice-procurador-geral da
República, general Helder Pitta Groz, diz que 15 ativistas presos em
Angola não são presos políticos e que a sua detenção visou evitar
alegada tentativa de promover uma insurreição.
Luanda - O vice-procurador-geral da República,
general Helder Pitta Groz, diz que 15 ativistas presos em Angola não são
presos políticos e que a sua detenção visou evitar alegada tentativa de
promover uma insurreição.
Em entrevista à estação estatal de televisão TPA, na véspera de um
anunciado protesto a realizar nesta quarta-feira (29), na capital
angolana, os detidos pretendiam alterar a ordem constitucional.
"Eles queriam alterar o presente quadro, quer o Presidente da
República, a Assembleia Nacional e, portanto, houve de facto a
necessidade de intervenção para não permitir que houvesse uma
insurreição na sociedade, uma situação que qualquer um de nós não
saberia o que fazer, porquanto os estudantes não poderiam sair para irem
às aulas, os trabalhadores para os seus serviços e todo o mundo seria
afectado", disse Helder Pitta Groz.
"Nós temos de analisar esta questão de uma forma muito consciente e
com uma certa coerência, porque especula-se muito e nós temos
acompanhado, quer pelas redes sociais, quer pelo que as pessoas vão
falando e temos de diferenciar as coisas. Uma questão é a liberdade das
pessoas poderem expressar as suas opiniões e outra questão é as pessoas
pensarem e procurarem de alguma forma realizar acções, com vista a
materializar aquilo que têm como pensamento", explicou em entrevista à
Televisão Pública de Angola (TPA).
"As consequências desta rebelião seriam incalculáveis. Não podemos
dizer porque isso seria como uma bola de neve. Inicialmente podia ser
que nada acontecesse, mas também podia acontecer tudo e, como se diz,
mas vale prevenir do que remediar e as tantas não teríamos como
remediar", afirmou o general que também é vice-procurador-geral da
República.
Helder Pitta Gros procurou justificar as prisões, dizendo que "se
fossemos a pensar que foram presos por ser presos políticos, já o tinham
sido muito antes". "Não foi por pensarem, pela consciência, que foram
presos. Foram presos somente porque estavam a preparar actos que levavam
a sublevação do poder instituído.".
"Se fosse por pensamento, seriam presos muito antes, porque toda a
gente sabe o que as pessoas envolvidas e detidas pensavam, falavam e
escreviam",disse.
"Não sabemos o que poderia acontecer de concreto, mas uma coisa é
certa a ordem e tranquilidade pública iriam ser seriamente afectadas",
acrescentou.
O vice-procurador-geral da República disse que os 15 presos já
receberam visitas de deputados de partidos políticos, tal como a CASA-CE
e a Unita, que remeteram as suas preocupações em relação à situação
destes à Procuradoria.
"Posso dizer que nenhum deles colocou a questão dos prazos de prisão
puderem ser esgotados, da acomodação, do alojamento. Pediram somente que
tivessem em conta a situação deles, para que os processos rapidamente
pudessem ser concluídos", disse.
Presos no dia 20 de junho, os jovens estão detidos nas cadeias de Viana (4), Calomboloca (7) e Caquila (4), na região de Luanda.
Segundo as autoridades angolanas, estão detidos em prisão preventiva
Henrique Luati Beirão (conhecido como "Brigadeiro Mata Frakuzx"),
Manuel "Nito Alves", Afonso Matias "Mbanza-Hamza", José Gomes Hata,
Hitler Jessy Chivonde, Inocêncio António de Brito, Sedrick Domingos de
Carvalho, Albano Evaristo Bingocabingo, Fernando António Tomás "Nicola",
Nélson Dibango Mendes dos Santos, Arante Kivuvu Lopes, Nuno Álvaro
Dala, Benedito Jeremias, Domingos José da Cruz e Osvaldo Caholo (tenente
das Força Aérea). África 21
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