quinta-feira, 30 de julho de 2015

Vice procurador-geral de Angola diz que presos políticos "não são presos políticos"

O vice-procurador-geral da República, general Helder Pitta Groz, diz que 15 ativistas presos em Angola não são presos políticos e que a sua detenção visou evitar alegada tentativa de promover uma insurreição.

Luanda - O vice-procurador-geral da República, general Helder Pitta Groz, diz que 15 ativistas presos em Angola não são presos políticos e que a sua detenção visou evitar alegada tentativa de promover uma insurreição.

Em entrevista à estação estatal de televisão TPA, na véspera de um anunciado protesto a realizar nesta quarta-feira (29), na capital angolana, os detidos pretendiam alterar a ordem constitucional.

"Eles queriam alterar o presente quadro, quer o Presidente da República, a Assembleia Nacional e, portanto, houve de facto a necessidade de intervenção para não permitir que houvesse uma insurreição na sociedade, uma situação que qualquer um de nós não saberia o que fazer, porquanto os estudantes não poderiam sair para irem às aulas, os trabalhadores para os seus serviços e todo o mundo seria afectado", disse Helder Pitta Groz.

"Nós temos de analisar esta questão de uma forma muito consciente e com uma certa coerência, porque especula-se muito e nós temos acompanhado, quer pelas redes sociais, quer pelo que as pessoas vão falando e temos de diferenciar as coisas. Uma questão é a liberdade das pessoas poderem expressar as suas opiniões e outra questão é as pessoas pensarem e procurarem de alguma forma realizar acções, com vista a materializar aquilo que têm como pensamento", explicou em entrevista à Televisão Pública de Angola (TPA).

"As consequências desta rebelião seriam incalculáveis. Não podemos dizer porque isso seria como uma bola de neve. Inicialmente podia ser que nada acontecesse, mas também podia acontecer tudo e, como se diz, mas vale prevenir do que remediar e as tantas não teríamos como remediar", afirmou o general que também é vice-procurador-geral da República.

Helder Pitta Gros procurou justificar as prisões, dizendo que "se fossemos a pensar que foram presos por ser presos políticos, já o tinham sido muito antes". "Não foi por pensarem, pela consciência, que foram presos. Foram presos somente porque estavam a preparar actos que levavam a sublevação do poder instituído.".

"Se fosse por pensamento, seriam presos muito antes, porque toda a gente sabe o que as pessoas envolvidas e detidas pensavam, falavam e escreviam",disse.

"Não sabemos o que poderia acontecer de concreto, mas uma coisa é certa a ordem e tranquilidade pública iriam ser seriamente afectadas", acrescentou.

O vice-procurador-geral da República disse que os 15 presos já receberam visitas de deputados de partidos políticos, tal como a CASA-CE e a Unita, que remeteram as suas preocupações em relação à situação destes à Procuradoria.

"Posso dizer que nenhum deles colocou a questão dos prazos de prisão puderem ser esgotados, da acomodação, do alojamento. Pediram somente que tivessem em conta a situação deles, para que os processos rapidamente pudessem ser concluídos", disse.

Presos no dia 20 de junho, os jovens estão detidos nas cadeias de Viana (4), Calomboloca (7) e Caquila (4), na região de Luanda.

Segundo as autoridades angolanas, estão detidos em prisão preventiva  Henrique Luati Beirão (conhecido como "Brigadeiro Mata Frakuzx"), Manuel "Nito Alves", Afonso Matias "Mbanza-Hamza", José Gomes Hata, Hitler Jessy Chivonde, Inocêncio António de Brito, Sedrick Domingos de Carvalho, Albano Evaristo Bingocabingo, Fernando António Tomás "Nicola", Nélson Dibango Mendes dos Santos, Arante Kivuvu Lopes, Nuno Álvaro Dala, Benedito Jeremias, Domingos José da Cruz e Osvaldo Caholo (tenente das Força Aérea). África 21

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