Em Moçambique é consensual que é preciso resolver a questão da exclusão
social que a Renamo tem levantado, mas a proposta que o movimento
apresentou, na segunda-feira, sobre a distribuição da riqueza, não tem
sido bem acolhida.
Ainda não havia muita clareza sobre que tipo de propostas a Renamo, o
maior partido da oposição em Moçambique, queria discutir com o Governo.
O que havia era um consenso sobre a necessidade de discutir a questão
da exclusão social, e nisso, a Renamo encontrava apoio quase total da
sociedade moçambicana.
Mas no diálogo político com o Governo, a Renamo exigiu que os
partidos políticos representados na Assembleia da República nomeassem
gestores para as empresas públicas, numa espécie da paridade com o
Governo.
O jurista Moisés Cuambe diz que sempre apoiou a ideia da Renamo de se
acabar com a exclusão social, só que o figurino que o partido apresenta
coloca algumas sombras sobre o que realmente pretende.
Para o jurista, "parece que a proposta não é para resolver os
problemas de todos os moçambicanos, porque o fundamental é garantir uma
plataforma em que todos tenham igualdade de oportunidade e caminhem em
conjunto na construção do país".
Refira-se que a Renamo defende a necessidade de ocupar cargos de
direcção na administração de algumas empresas públicas e ter igualdade
de posição com os membros da Frelimo por indicação do Governo.
Segundo o jurista, a Renamo, ao fazer a proposta desta maneira, "não
está a resolver o essencial, que é tornar o país governado não só do
ponto de vista de extremos colocados pelos partidos políticos, mas sim
sob o ponto de vista de participação de todos os moçambicanos membros ou
não de formações políticas".
O porta-voz dos mediadores nas negociações entre o Governo e a
Renamo, Lourenço do Rosário, considerou excludente a proposta da Renamo,
porque promove a apropriação dos recursos económicos do país pelos
principais partidos.
O chefe da delegação da Renamo às negociações com o Governo, Saimone
Macuiane, ao apresentar a proposta, disse que "nao deve continuar o
princípio segundo o qual aquele que é membro da Frelimo (partido no
poder), pode ter acesso aos recursos".
Por seu turno, o negociador-chefe do Governo, José Pacheco considerou
inaceitável a proposta da Renamo, afirmando que a mesma visa
partidarizar a esfera económica do país. Voz da América
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