DEPOIS da independência nacional todas as crianças órfãs de pais que perderam a vida na guerra da luta de libertação do nosso país, nas mãos do colonialismo português, foram recolhidas para os orfanatos, como por exemplo o Centro Orfanato de Chiango, em Maputo, onde podiam ter o sustento, educação e ensino profissional.
Assim o Governo preparava o futuro delas para que, crescidas, pudessem ser enquadradas no mercado do emprego e, além de construírem as suas famílias, contribuírem também no crescimento e no desenvolvimento da nação. Além disso o Governo prevenia que no futuro, quando crescidas, não se tornassem ladrões e criminosos como alternativa para poderem se sustentar.
Hoje não temos somente crianças órfãs de pais que morreram na guerra civil, temos também as que os pais morrem pela epidemia da SIDA e os chamados “meninos de rua”,que fogem dos seus lares para rua por causa dos maus tratos e dos conflitos familiares. Mas este novo fenómeno não chama nenhuma atenção aos ministérios e organizações que podiam lidar com ele. Consideram-no como um dos elementos da vida social normal.
A minha questão é: não estaremos a investir na criminalidade do que no crescimento e no desenvolvimento da nação? Pois estamos a atravessar um período muito crítico na história do nosso país, no qual dia após dia encontramos em cada esquina das ruas ou mesmo dentro das moradias de todos os bairros das nossas cidades e das nossas vilas corpos de pessoas assassinadas pelos assaltantes e criminosos.
A população dos meninos e meninas de rua está se multiplicando dia após dia, através de crianças órfãs e fugitivas dos lares. Além disso, à medida que esta camada está crescendo, dá origem a um outro novo grupo, pois as crianças que atingiram a idade de fertilização começam a dar filhos que nascem com apelido de meninos e meninas de rua. Este fenómeno nos levará, num futuro próximo, a uma situação descontrolada, uma vez que o nosso sistema de segurança está cada vez mais demonstrando a sua incapacidade técnica e maturidade de deter e controlar todo o tipo de crime que surge todos os dias.
Os outros povos aprendem e ganham experiências através dos seus próprios erros, que cometeram no passado. Afinal quando é que nós aprenderemos com os nossos erros?
Quando começaram os focos dos grupos armados que culminaram numa guerra civil, bem organizada e bem preparada, contra o Governo dirigido pelo sistema democrático socialista, desprezámos e ignorámos completamente e despertámos quando era muito tarde. Como consequência, até hoje continuamos a pagar a dívida desse erro muito grave como o que, mais uma vez, estamos cometendo agora. Estamos a ignorar completamente a multiplicação dos ladrões, assaltantes, raptores e assassinos através do crescimento dos grupos dos “meninos e famílias de rua”.
O Ministério do Género, Criança e Acção Social e o Ministério do Trabalho, Emprego e Segurança Social, juntamente com a Organização da Sociedade Civil, deviam prestar atenção e colocar nas suas agendas formas conducentes a uma solução para sanar, ou pelo menos minimizar esta situação antes que seja muito tarde. Pois esta situação é um dos grandes obstáculos para todos os planos traçados com vista ao crescimento e o desenvolvimento da nação rumo à erradicação da pobreza absoluta. Notícias
LEONARDO LASSE
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