quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Pensão Mavuco

“PENSÃO Mavuco” está situada logo na entrada principal da Kenmare, empresa que explora as areias pesadas de Topuito, no distrito de Larde, um dos mais novos da província de Nampula. Já ouvia falar muita coisa sobre a “Pensão Mavuco”, particularmente por constituir um dos pontos de referência na prática da prostituição na região de Moçambique.
Ou por outra, situando-se num local onde se instalou um megaprojecto da dimensão da Kenmare, claro que não faltariam prostitutas que fossem para ali à procura do dinheiro para o seu sustento à semelhança do que acontece noutros megaprojectos instalados noutros pontos do nosso país. Até porque a “Pensão Mavuco” surgiu depois da instalação daquela empresa onde trabalham moçambicanos oriundos de quase todo o país, consolidando igualmente a unidade nacional, embora alguns em Topuito não queiram que assim aconteça.
Depois de muito ouvirmos sobre a “famosa Pensão Mavuco”, calhou que desta vez fossemos lá, na cobertura da visita do Governador da Província de Nampula, Victor Borges, à Topuito. Até porque alguns membros da comitiva governamental incluindo o autor destas linhas estavam hospedados na “Pensão Mavuco”. Que grande oportunidade foi esta de termos ido lá para conhecer de perto a realidade daquele tão falado local de hospedagem de Topuito?
Não posso chegar a outra conclusão. O que vi ao entardecer, veio-me logo à cabeça a coincidência do que vinha ouvindo de longe, pois senti que estava na realidade no ambiente ideal ou propício para a prática da prostituição. Antes disseram-nos que agora que a Kenmare está com dificuldades financeiras devido a queda de preços de venda de minérios que explora no mercado internacional, que já implicou a reorientação da força de trabalho da empresa, muitas prostitutas foram-se embora, a procura de clientes noutras praças do país. Mas mesmo assim, ou como que a contrariar isso, à noite, o número de prostitutas aumentou tal como os clientes na “Pensão Mavuco”.
 Ou melhor dizendo, tal como acontece noutros dias, não faltaram beldades moçambicanas que sempre que podem atendem as fantasias dos seus clientes. Alguns integrantes da comitiva do governador “petiscaram” a valer a ponto de outros não terem dinheiro para liquidar as contas, provocando discussão ensurdecedora entre eles e as meninas bonitas macuas. O bom é que aquelas que reconhecem que a sua profissão tem riscos, atendem essas fantasias com responsabilidade, exigindo o uso, por parte do “parceiro”, o preservativo, como aconteceu desta vez. Uma delas em conversa disse-nos que não precisam que um cliente forje uma opinião acerca de muitas coisas de “conquista”, novas ou velhas. O pretendente deve ir directamente no assunto, desde que tenha preservativo.
 O mal é que há prostitutas que aparentemente não reconhecendo o risco da prostituição, não exigem o uso do preservativo. O que lhe interessa é o dinheiro, pois fazer sexo com elas nessa condição custa muito dinheiro. Segundo relatos de algumas trabalhadoras do sexo, há colegas suas que já chegaram a enfrentar crises depressivas por consumo de drogas na prática de relações sexuais, na tentativa de “impressionar” clientes na “Pensão Mavuco”.
 Por causa disso, tal como se verifica noutros locais de prostituição da província de Nampula, as trabalhadoras de sexo de Mavuco, queixam-se da falta de programas de sensibilização sobre a prevenção de doenças, como o HIV/SIDA no exercício da sua profissão. Por isso, algumas delas desconhecem os perigos de vida que correm ao praticarem essa actividade desprotegidas.
Apesar de tudo, foi saudável, sem dúvida, o desejo de companhia, o gosto por estar na “Pensão Mavuco”, esta que nasce para igualmente combater a pobreza absoluta no nosso país, empregando, de maneira formal e informal os moçambicanos fustigados por esse mal, e que tentam ganhar a vida, mesmo correndo ou não o risco da sua vida. Afinal a “Pensão Mavuco”, muito bonita, limpa, organizada e acolhedora está também a dar a sua contribuição no alívio do sofrimento a muitos moçambicanos.
O que interessa e desejamos aqui é que haja um trabalho profundo por parte de quem de direito para que a prostituição naquela pensão seja feita de forma responsável. É que, as muitas jovens que todos os dias acorrem ali para se prostituírem com qualquer homem, não podem deixar o país “deserto”. O país precisa de mulheres e homens saudáveis para seguir o longo rumo do desenvolvimento. Notícias

Mouzinho de Albuquerque

Sem comentários:

Enviar um comentário