segunda-feira, 31 de agosto de 2015

RELIGIOSOS, GOVERNO E SOCIEDADE CIVIL: Aliança basilar contra casamentos prematuros

CANSADOS de ver as crianças a serem forçadas a se casar e a gerar outras crianças, as confissões religiosas juntaram-se e convidaram outros actores, entre os quais o Governo, sociedade civil, parlamentares e parceiros de cooperação, para em conjunto discutir a problemática dos casamentos prematuros e desenhar acções coordenadas para reduzir este mal social.
O evento, que contou com a participação da Primeira-Dama de Moçambique, Isaura Nyusi, decorreu durante dois dias na cidade da Matola, província de Maputo, e foi organizado pela Aliança Inter-Religiosa para Advocacia e Desenvolvimento Social (AIRDES), em parceria com outros segmentos da sociedade.
 Nas suas intervenções os participantes citaram os diferentes factores que concorrem para o registo cada vez mais de raparigas que se casam antes dos 18 anos, idade mínima estabelecida pela lei moçambicana para que o casamento seja reconhecido. Entre estes destaque foi para as práticas culturais, a desatenção dos pais, o desconhecimento da palavra de Deus e a não penalização dos infractores.
Outros apontaram o impacto a todos os níveis que os casamentos forçados têm tido no nosso país, em geral, e na rapariga, em particular, desde as gravidezes precoces, com todas as consequências que daí advêm, ao retardar o empoderamento da mulher, que fica numa dependência cíclica do parceiro e com oportunidades limitadas para sair da pobreza.
Os religiosos, por sua vez, deram os seus contributos sobre o que é que deve ser feito para reduzir a prevalência dos casamentos prematuros que como disse o presidente da Aliança Inter-Religiosa para Advocacia e Desenvolvimento Social, Bernardo Dimande, o problema não afecta apenas cidadãos que não professam alguma religião, mas toda a sociedade, incluindo os crentes.
 “O fenómeno dos casamentos prematuros não tem fronteiras de santidade, pelo contrário, é lá onde habita a santidade que os casamentos forçados procuram se impor com maior vigor”, reconheceu o dirigente, manifestando o interesse das confissões religiosas em se juntar na luta contra a prática.
A ideia de se juntar à causa foi aplaudida pela esposa do Presidente da República, que afirma: “Hoje, mais do que nunca, todos os moçambicanos, em particular as confissões religiosas, são chamadas a dar o seu contributo na solução dos desafios que o nosso país enfrenta”.

PENALIZAR OS INFRACTORES 

FALANDO na ocasião, Amina Issa, representante da Coligação para a Eliminação dos Casamentos Prematuros (que congrega 170 organizações), fez perceber que Moçambique se situa entre os países com maiores taxas de casamentos prematuros, ocupando a 10.ª posição a nível mundial, apesar de uma tendência de redução, a longo prazo, do fenómeno, em particular nas raparigas com menos de 15 anos.
 “A proporção de mulheres casadas até aos 18 anos caiu de 56.6 por cento em 1997 para 48.2 por cento em 2011. Grande parte deste declínio registou-se na proporção de mulheres casadas até aos 15 anos, que reduziu um terço durante este período. Em contraste, houve apenas uma modesta redução de três por cento na proporção de mulheres casadas na idade entre 15 e 17 anos”, fundamentou Amina Issa, para quem os casamentos prematuros passam pelo abandono ou reformulação de algumas práticas costumeiras que prejudicam a rapariga, tais como os ritos de iniciação, pois em algumas regiões do país é nestas práticas em que as meninas aprendem como levar uma vida de adulto. Ler +

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