O ataque, na passada sexta-feira, 25, na província de Manica,
Moçambique, à escolta do líder da Renamo, era uma das hipóteses
previsíveis depois de Afonso Dhlakama ter abdicado da protecção das
forças governamentais.
Com esta postura, ele assumiu por conta própria e risco a situação, e
num ambiente de instabilidade político-militar no qual ele está
associado, o líder da Renamo corre muitos riscos, referem muitos
analistas moçambicanos.
O académico Calton Cadeado, especialista em relações internacionais e
questões de conflito no Instituto de Relações Internacionais de
Moçambique(ISRI), considera que Afonso Dhlakama fez erros estratégicos,
alguns dos quais estão a produzir danos colaterais.
De acordo com o académico, "o líder da Renamo, ao afirmar que já não
precisava da protecção das forças governamentais, fez um cálculo
estratégico para criar uma situação de medo que lhe pudesse conferir
alguma força política mas, sem se aperceber, ele colocou a si próprio e
as suas forças numa situação de risco".
Cadeado destacou que o líder da Renamo perdeu o controlo da situação e
isso adensou ainda mais a falta de confiança, acrescentando que, "neste
momento, todos podem ser potenciais atiradores contra a integridade
física de Afonso Dhlakama".
Na opinião do analista, neste momento, Afonso Dhlakama está numa
situação de fragilidade emocional e do ponto de vista estratégico, "e
para recuperá-lo é preciso que ele corrija os erros de cálculo".
"Quer-me parecer que quem tem que salvar o líder da Renamo são as
forças governamentais, tal como o fizeram pela primeira vez quando ele
foi para parte incerta; foram lá embaixadores e algumas pessoas
interessadas na estabilidade política de Moçambique que agiram nos
bastidores, mas em última instancia foram as forças governamentais que
garantiram que ele aparecesse", esclareceu.
Refira-se que na sequência do ataque das forças governamentais à
antiga base central da Renamo em Santundjira, na província central de
Sofala, Afonso Dhlakama permaneceu durante muito tempo em "parte
incerta", tendo regressado a Maputo, com a protecção de alguns
embaixadores, quando faltavam dias para a realização das eleições
gerais.
A escolta de Dhlakama foi atacada quando o líder da Renamo se dirigia
à província nortenha de Nampula, uma daquelas onde o movimento pretende
instalar o seu governo. Voz da América
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