terça-feira, 8 de setembro de 2015

Da crise religiosa à proliferação de “doutores”

DISCUTIR religião, desporto e política, não tem sido coisa fácil. Aliás, comummente tem-se dito que são três realidades impassíveis de discussão. As abordagens sobre essas matérias têm sido conflituantes e muitas vezes anulam-se entre si. Deste modo, não se chega a qualquer conclusão entre os interlocutores, senão acusações, insultos e outros derivados de ofensas. A conversa termina em “argumentums ad hominé”.
Não obstante, isto não nos pode impedir de entrar neste barulho, principalmente quando identificamos que algo não está bem. Nisto, o presente artigo surge da necessidade de reflectirmos em torno da crise da doutrina religiosa ministrada nas distintas confissões religiosas que se multiplicam um pouco por todo o país, por um lado, e por outro, a proliferação de “doutores” sem diploma, entre nacionais e estrangeiros, que têm da palhota como seu local de ofício.

· Da religiosidade do Homem 

A religião, seja lá qual for, é entendida como um conjunto de crenças ou práticas que estabelece a ligação entre o Homem e o transcendental. Ela pode ser adoração a um Deus, ou ainda, a vários deuses. Diz-se monoteísta no primeiro caso, e politeísta, no segundo. Devido ao facto de ser dotado de espiritualidade, apenas o Homem é religioso.
O Homem é religioso porque ele próprio reconhece a sua fraqueza e limitações, e por isso, idealiza um ‘Ser’ ou seres capaz(es) de o propiciar soluções aos seus principais problemas.Por isso que, comummente, as igrejas são frequentadas por mulheres, por pessoas desfavorecidas, carenciadas, viúvas, idosas, desempregadas, frustradas, endémicas, inválidas, inférteis, endividadas, solteiras, esteticamente carenciadas.

· Da crise religiosa 

 Nos dias que correm, multiplica-se o número de confissões religiosas, principalmente as de cunho cristão e protestante. Em Moçambique, por exemplo, armazéns, complexos, quintais, garagens, varandas e outros compartimentos das residências, vão dando lugar às igrejas e muitas pessoas acorrem a estas em busca da bênção material em detrimento da espiritual.
Se por um lado as igrejas que se implantam no país estão preocupadas em aquisição de lucros, funcionando como verdadeiras empresas, onde a “bênção” é objecto de negócio por parte da classe sacerdotal, por intermédio de uma prática designada dízimo, por outro, a doutrina ensinada nestas, não consegue orientar as suas ovelhas, colocando-as perdidas existencialmente.
E por essa razão, hoje, temos muita juventude perdida na “má-vida”, no álcool, drogas, prostituição, crimes e outros vícios advindos da ineficácia da doutrina ensinada nas confissões religiosas. As pessoas até acorrem às igrejas, mas, não são condicentes ou conformes a doutrina que aprendem. Aliás, nem mesmo os padrões de apresentação são respeitados. Uns vão às igrejas como se de um bordel se tratasse.
Nas igrejas, durante o culto, a missa e outras actividades afins, muitos crentes aproveitam para tirar o descanso. Dormem enquanto o líder religioso prega o evangelho. Outros vão a igreja embriagados e drogados. Outros ainda, acorrem a esses lugares regressando de um acto adúltero, da discoteca, etc., portanto, vulgarizam o Templo.
Os líderes religiosos instrumentalizaram a doutrina de Deus para prosseguir fins viciosos. Uns até chegam a aproveitar-se dos crentes com dons proféticos para manipular outros crentes. As pessoas perdem noites em orações para ter um carro, casa, casamento, emprego, etc., mas nada acontece, isso devido a sua ambição desmedida. Metem-se nas igrejas para prosseguir fins materiais, sem um notável esforço. Exaltam o material em detrimento do espiritual, o essencial. Engajam-se em orações, mas não levam uma conduta exemplar em sociedade.
Não são poucos os relatos de pastores ou líderes religiosos que se relacionam sexualmente com as crentes alegando causas superiores: coagem as irmãs a manterem relações sexuais consigo em nome da purificação, da bênção. Outros tornam-se amantes de suas irmãs, mesmo casadas e, finalmente, alguns (muitos) recorrem aos doutores da palhota para serem atribuídos o poder de milagres, quando não passa de magias, e os crentes se deixam levar. Afinal, as pessoas se convencem com o visível. Ler +

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