sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Do prazer, dor e sacrifício existimos todos

"Quem tem uma mãe tem tudo, quem não tem mãe, não tem nada" 

In: Citador 

Há quem diga que eu gosto muito de mulheres, e não se engana. Adoro mulheres porque elas ilustram-me o amor que elas têm por nós. Ao meu redor tenho muitas mulheres e só em casa tenho quatro. Porém, todas as minhas mulheres têm uma particularidade de referência.
Todas me chamam por “Pai” desde a minha mãe, passando pela minha sogra, minhas irmãs, minhas primas, minhas filhas até chegar, claro à minha-minha mulher. O “minha” da minha mulher não foi repetido por engano. Foi para dar o devido destaque ao expoente de ela ser minha.
Tu não precisas dizer às mulheres que não estás bem pois elas perguntarão primeiro o que se passa contigo. Daquelas coisas que os homens dizem que são assuntos particulares e que a melhor coisa é não perguntar nada a ele, elas perguntam e sempre têm uma forma de ajudar-te mesmo se essa ajuda circunscrever-se a uma palavra de carinho, quando dita por elas não deixa de ser ajuda. E se for de uma mãe? É essa resposta mesmo.
Esta semana encontrei uma senhora aparentemente dos seus sessenta anos de idade num semáforo,pedindo esmola. Eu quase atrasei a uma reunião a tentar explicar que tinha vontade de dar “algum” mas naquele momento na minha carteira não tinha nem se quer um metical. O fundamento que ela usou para desmentir-me foi o fato, a gravata e o carro. Para ela, era inconcebível que alguém estivesse naquelas condições e não tivesse dinheiro no bolso e retorquiu “você tem mãe?” e ai estragou-se tudo.
Estacionei bem o carro saí e fizemos um debate que durou cerca de uma hora. A minha tese era de que a senhora ainda era forte suficiente para sair da rua e ir fazer uma pequena machamba para alimentar-se e provavelmente vender o excedente da sua produção. Ela argumentava, de lágrimas em brilho, que isso era, na verdade o que mais gostava de fazer mas os filhos, expulsaram-lhe da zona de origem onde ela tinha as suas machambas alegadamente por ser feiticeira e fonte de azares para os filhos. “você pode ter filho e depois enfeitiça-los sozinha? Swa tuala leswo? Tem sentido isso?
Não vou, nem quero discutir feitiçaria na família, fundamentalmente a protagonizada pelos pais aos filhos pois, para mim considero uma tese perdida por falta de argumento sustentável. Já ouvi e acompanhei várias histórias sobre mães expulsas ou assassinadas pelos próprios filhos por acusação de feitiçaria e a única coisa que sempre consegui felizmente fazer, como dizia Alexandre Langa, “Woswi Patsa Nimarhi uminta”, que traduzido linearmente seria “misturar com saliva e engolir” como quem diz ignorar e rezar que uma situação semelhante não “te bata” à porta Mãe é uma pessoa diferente.
Mãe fez de tudo para que nós existíssemos. Coisas de prazer, de dor e sacrifício. Mãe não sabe estar “off the record”, para mim, mãe não sabe fazer outra coisa, ou jogar outro papel senão o de ser mãe. O Pai, até por diversificação de fontes de filhos, acaba se distraindo um pouco do seu papel o que nunca acontece com uma mãe. Mãe não precisa ser biológica, basta ser mãe. A palavra mãe é mágica. Há tias, há madrastas (não mães) e há mães.
Quem tem uma mãe tem tudo, e quem não tem mãe, não tem nada. Vamos respeitar as mães. Tudo começou com prazer depois veio a dor e a seguir o sacrifício de garantir a nossa sobrevivência e existência. Obrigado, mães de todo o mundo. Um abraço àqueles que já não têm a mãe viva, mas que conhecem o valor do amor que ela representa. E peço desculpas a quem tem a sua mãe pedindo esmolas na rua. Reflita! Notícias

Sem comentários:

Enviar um comentário