Reunidos em seminário em Joanesburgo, jornalistas e ativistas criticam
julgamento do economista moçambicano Castel-Branco e censura à imprensa
angolana.
Jornalistas e ativistas que trabalham em ambientes repressivos em Países
Africanos de Língua Portuguesa (PALOP) debateram nesta segunda-feira
(07/09) sobre as ameaças à liberdade de expressão na África Austral e o
uso do crime de difamação como instrumento para silenciar a imprensa. O
seminário ocorreu na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, na
África do Sul.
Para Justine Pearce, pesquisador da Universidade de Cambridge, as
violações à liberdade de expressão são mais patentes em Angola do que em
Moçambique.
“A liberdade de expressão tem um enquadramento legal mais forte em
Moçambique. Em Angola, a situação continua muito preocupante, com leis
muito fracas”, afirmou.
Os palestrantes também discutiram o
julgamento
do economista e professor universitário moçambicano Carlos Nuno
Castel-Branco, acusado de atentado à segurança do Estado, e do
jornalista Fernando Mbanze, editor do jornal Mediafax, suspeito de abuso da liberdade de imprensa.
Em 2013, Castel-Branco publicou em sua conta do Facebook uma crítica ao
ex-presidente Armando Guebuza, que foi reproduzida por Mbanze na
imprensa. Eles foram julgados no tribunal de Maputo no último dia 31 de
agosto. A sentença será proferida no dia 16 de setembro.
Para o jurista e jornalista moçambicano Tomás Vieira Mário, o veredito será um teste para a democracia.
“Castel-Branco estava a exercer o direito fundamental de participação
política. Mas, por outro lado, há quem diga que ele cometeu um crime
contra o Estado. Ora, são duas leis que se chocam frontalmente”, avalia.
“Se prevalecer a acusação de que ele, criticando o presidente cometeu
um crime contra o Estado, fica, então, ameaçada a liberdade de
participação política.”
Vieira Mário refutou ainda uma ligação entre o
assassinato do jornalista Paulo Machava, editor do jornal electrónico Diário de Notícias, e o caso Castel-Branco. “Paulo Machava jamais esteve associado ao movimento em prol de Castel-Branco”, disse.
Cidadãos precisam de informação
Por seu turno, o ativista angolano Rafael Marques de Morais, jornalista e
defensor dos direitos humanos, argumentou que a ameaça à liberdade de
expressão começa com a limitação de acesso dos cidadãos à informação.
“Por isso, é necessário que falemos sobre esse tema em Angola para além
do simples fato de haver jornalistas a serem perseguidos pelo poder
político ou não”, ressaltou.
Os especialistas apontaram Cabo Verde como o único país lusófono em África que respeita a liberdade de expressão. Deutsche Welle
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