O também jornalista Makuta Nkondo diz ainda que clarear a pele não é a
única forma de rejeitar os valores e princípios de sua cultura. Apela ao
Governo angolano para promover os valores ligados aos princípios Bantu.
Em Angola, fãs de cantores como Ary, Francis Boy, Própria Lixa, Madruga
Yoyo e Puto Português estão indignados com o fato de eles terem se
submetido a um tratamento de branqueamento de pele.
A polêmica despoletou nas redes sociais, depois de terem sido publicadas
fotografias dos músicos que revelam as suas cores de pele anteriores ao
branqueamento e depois. Entre os músicos angolanos que teriam passado
pelo tratamento, o mais criticado pela sociedade angolana é Puto
Português. Porque ele publicou um vídeo no "YouTube" onde aparece
acompanhado do kudurista Francis Boy a dizer: "escuro não".
As declarações, vistas como uma renúncia da cor negra, aumentaram o
nível de revolta, principalmente dos fãs, que até queimaram discos do
cantor como manifestação de revolta. A situação levou o músico a
publicar um outro vídeo, em que diz: "Querem me crucificar por eu ter
feito uma brincadeira [escuro não], que não fui eu que inventei. Foi um
senhor num vídeo que ficou nas redes sociais sei lá por quanto tempo.
Querem crucificar o Puto Português."
Rejeitar a negritude
Depois de mais críticas, o músico pediu desculpas públicas. Puto
Português reconhece o exagero dos seus depoimentos e diz que não
acreditava que o tom da pele fosse um fator de superioridade ou
inferioridade.
Em declarações à DW África, o jornalista e historiador Makuta Nkondo
associa o comportamento dos referidos músicos ao complexo de
inferioridade. Segundo o antigo deputado da UNITA - União Nacional para a
Independência Total de Angola -, o maior partido da oposição, na
sociedade também há outras formas de rejeição aos valores e princípios
culturais de Angola.
Ele lembrou que em 1965, o Presidente do então Zaire, Mobutu Sese
Seko, já tinha proibido a prática de branqueamento para conservar a
africanidade. "É o complexo que o negro tem em relação ao branco. Esse
problema não se limita só em clarear a pele. Ele é negro com pensamento
de branco. Há pessoas que não se dignam em visitar os bairros porque ele
é chefe, é rico."
Promover valores
Makuta Nkondo apela ao Governo angolano para promover os valores ligados
aos princípios Bantu. O jornalista condena a atitude dos cantores e de
outros cidadãos angolanos que rejeitam a negritude.
Ele questiona a origem de alguns membros do Governo angolano que, no seu
entender, contribuem para o surgimento de comportamentos do gênero.
"Pior que rejeição, aquilo é blasfémia. Se tivéssemos um Governo
genuinamente angolano aquilo deveria ser punível", defende o historiador
Makuta Nkondo. Deutsche Welle
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