O presidente da UNITA, o maior partido da oposição angolana, deu uma
conferência de imprensa em resposta ao discurso do Estado da Nação,
proferido pelo vice-presidente de Angola Manuel Vicente, na semana
passada (15.10).
Isaías Samakuva começou a conferência de imprensa desta segunda-feira
(19.10)por “desejar ao senhor Presidente da República de Angola votos de
melhoras no seu estado de saúde”.
Na quinta-feira (15.10) o vice-presidente Manuel Vicente, em
substituição de José Eduardo dos Santos, devido a uma indisposição,
disse à nação angolana que “as economias têm ciclos altos e baixos. A
boa notícia é que não haverá recessão mas apenas uma ligeira
desaceleração do crescimento da economia sendo essa uma boa base de
trabalho para o próximo ano". O Presidente da UNITA, Isaías Samakuva
contraria essa afirmação dizendo que "o país está em crise e que as
politicas do governo falharam".
"A crise está em todo o lado, até na corrupção"
Segundo o discurso oficial do líder da UNITA, Angola “atravessa o
pior momento da sua história de 13 anos de paz. Samakuva diz que a crise
está em todo o lado, “na educação, na saúde chegando mesmo ao “lixo” e à
“corrupção”. Esta última “está em crise porque muitos poderosos
estrangeiros que fazem negócios corruptos com Angola estão a ser presos
nos seus países”,afirmou.
Samakuva está convicto “que o modelo de gestão do poder politico e
económico prosseguido pelo regime do Presidente José Eduardo dos Santos
falhou. A ideia do Plano nacional de Desenvolvimento de 2013 a 2017
também falhou”, afirma o líder do maior partido da oposição em Angola.
Escalada repressiva sem precendentes em Angola
Isaías Samakuva não esqueceu os massacres e as prisões arbitrárias que
têm acontecido em Angola. O líder da UNITA disse que “os angolanos
ouviram incrédulos tais afirmações, proferidas no mesmo ano em que o
Estado orquestrou o massacre de cidadãos no Monte Sumi, Província do
Huambo e as organizações internacionais dos direitos humanos
consideraram que no último ano tem vindo a ocorrer uma escalada
repressiva sem precedentes em Angola e que as prisões dos ativistas José
Marcos Mavungo, condenado em Cabinda, Rafael Marques, condenado a pena
suspensa em Luanda, e dos 16 jovens, "foram infundadas e totalmente
arbitrárias,” afirmou o Presidente da UNITA esta tarde no encontro com
os jornalistas em Luanda.
Um futuro melhor com a inclusão de todas as partes
Apesar deste quadro tenebroso descrito, o presidente do principal
partido de oposição vislumbra um futuro melhor: “A UNITA esta a
enveredar para um diálogo nacional tanto aberto como discreto com todas
as forças vivas do país para definir as bases de gestão da mudança que
Angola reclama. Estamos empenhados numa mudança pacífica e inclusiva sem
nenhum preconceito ou sentimento de vingança. Mudança que incluirá
todos”, destacou Isaías Samakuva na conferência de imprensa. Deutsche Welle
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