Segundo denúncias da sociedade civil, pacientes seriam obrigados a levar
lenha para os centros de saúde para esterilizar instrumentos médicos e
acompanhantes de grávidas forçadas a lavar roupa de cama nos hospitais.
Durante um debate público sobre o estado da saúde no distrito de Muembe,
na província do Niassa, no norte de Moçambique, um grupo de cidadãos
fez graves denúncias sobre o setor de saúde.
Segundo investigadores que foram para o terreno verificar as condições
de atendimento, há utentes que são obrigados a levar consigo molhos de
lenha para fazer fogo e esterilizar os instrumentos médicos. Essa seria
uma das condições para serem atendidos.
O grupo também alerta que, nas maternidades, os acompanhantes das
grávidas são obrigados a lavar a roupa de cama usada durante o parto.
"Verificamos o abandono das parturientes pelos profissionais deixando-as
ao cuidado dos acompanhantes, que são obrigados a lavar a roupa de cama
hospitalar usada durante o parto. O grupo cívico de saúde sugere maior
supervisão e tomada de medidas necessárias", afirmou um dos membros
durante o debate em Muembe.
A organização internacional Concern Universal, que organizou o debate
sobre saúde, concluiu que os profissionais de saúde do Niassa não
conhecem os direitos e deveres dos doentes.
"Quando falamos em cortesia não estamos a dizer coisa de outro mundo.
Estamos a falar de uma das componentes previstas na carta dos direitos
dos doentes. O profissional tem que conhecer as linhas gerais de
orientação do setor da saúde. O maior desafio é a divulgação das
políticas junto dos profissionais e dos gestores de saúde", afirmou
Domingos Vidal, da organização no Niassa.
Director de saúde nega acusações
José Manuel, diretor provincial de saúde, nega que os doentes sejam
obrigados a levar lenha para os centros de saúde e, que se isso
acontecer, serão tomadas as medidas necessárias.
"Provavelmente pode acontecer no entendimento da comunidade, mas não
constitui obrigação nenhuma. Não está escrito em nenhum local, não é
obrigatório", disse.
Além de Muembe, o debate público sobre as condições do serviço de saúde
no Niassa realizou-se também nos distritos de Maúa e Marrupa. O debate
foi financiado pelo Banco Mundial. Deutsche Welle
Sem comentários:
Enviar um comentário