Em Angola, o custo de vida está a subir de forma acelerada. A situação
começa a ficar insustentável. Os analistas preveem um maior
descontentamento popular semelhante às manifestações realizadas na
segunda-feira (05.10).
A semana começou com protestos e imagens chocantes de destruição de
viaturas e queima de pneus nas ruas da capital angolana, devido à atual
crise financeira que tem levado à penúria e à degradação social e
económica da maioria dos angolanos.
Recorde-se que Luanda é também a capital mais cara do mundo para
expatriados, de acordo com um relatório divulgado, em junho, pela
consultora norte-americana Mercer que a classificou como a cidade mais
cara pela terceira vez consecutiva. Por exemplo no sector de habitação
as rendas poderão atingir os 11 mil euros ao mês para quem vem de fora.
Num país com uma economia dependente do petróleo, a situação começa a
ficar extremamente complicada para a população local, sobretudo os mais
carenciados, que nas ruas de Luanda de forma aberta já começam a pedir
para que o MPLA abandone o poder.
O titular do governo angolano, José Eduardo dos Santos, demonstra
impotência em honrar os compromissos assumidos com as empresas privadas e
já começa a ter muitas dificuldades em pagar os salários dos
funcionários públicos.
Descontentamento da população pode gerar mais manifestaçôes
O protesto desencadeado pelos taxistas, na última segunda-feira, que
reclamam questões como a falta de paragens e o elevado nível de
corrupção no seio dos agentes de trânsito, são os primeiros sinais de
descontentamento da população. O protesto rapidamente ganhou outros
contornos, havendo registos de violência e detenções.
Se a atual situação não for alterada rapidamente, a qualquer momento, o
país poderá testemunhar um descontentamento popular generalizado, notam
observadores atentos na capital angolana que seguiram de perto os
incidentes registados na manifestação de taxistas da última
segunda-feira.
O estudante, Miguel Natal, questiona as razões que levaram o Presidente
angolano a comprar uma aeronave no valor de 62.5 milhões de dólares
americanos quando o país já se encontrava numa situação de fragilidade
económica, “o José Eduardo vai á China comprar um aparelho mais caro do
mundo e depois ficamos em crise” diz o jovem nas ruas de Luanda.
Outros exemplos do género são criticados por uma grande maioria da
população, cujo poder de compra diminuiu drasticamente na sequência da
crise que se instalou no país provocada nomeadamente pela baixa do preço
de petróleo no mercado mundial.
O país deve tomar medidas antes que seja tarde demais
Para o economista Filomeno Vieira Lopes, é urgente que o país tome algumas medidas macroeconómicas antes que seja tarde de mais.
Segundo o economista “se não se tomarem medidas no que diz respeito à
prevenção dos meios públicos e das finanças públicas e se não se tomarem
medidas também no sentido de se melhorar as importações existem muitas
dúvidas se a economia não vai parar”.
O economista fala ainda de uma gestão criminosa da máquina pública por
parte do Governo de José Eduardo dos Santos, tendo acrescentado que as
autoridades devem urgentemente tomar medidas radicais para pôr cobro ao
ciclo de enriquecimento ilícito que se constata no seio da elite
dirigente angolana.
Para Vieira Lopes o país está “perante uma situação difícil que se vai
agravar porque o serviço público não está a ser pago, os polícias não
são pagos, a corrupção esta a aumentar em vez de diminuir e o único
caminho, que existe para solucionar o problema, é a intervenção das
centrais sindicais para combaterem isso. Deutsche Welle
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