sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Renamo considera "palhaçada" processo contra Dhlakama

Polícia abriu processo por homicídio contra o líder do principal partido da oposição devido a incidente de sexta-feira

A Renamo, principal partido de oposição moçambicana, considerou uma "palhaçada" o anúncio da polícia da abertura de um processo criminal contra o líder do movimento por homicídio, após os incidentes registados na passada sexta-feira. "Eu acho que é palhaçada. A polícia vai abrir um processo contra o presidente da Renamo e não abre um processo contra a pessoa que matou as tais 23 pessoas da Renamo?", questionou o porta-voz do partido, António Muchanga.
Qualificando como infeliz o anúncio do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Muchanga defendeu que as autoridades deviam abrir um processo criminal contra os membros das forças de defesa e segurança envolvidos no incidente.

Sem mencionar o seu paradeiro, o porta-voz da Renamo afirmou que Dhlakama apela à calma e está empenhado em evitar que o país volte a nova guerra. "A nossa prioridade agora é restabelecer o bom ambiente, para que Moçambique não volte à situação que passou durante 16 anos", disse Muchanga, aludindo à guerra civil que o país viveu até ao Acordo Geral de Paz, em 1992.
A polícia moçambicana anunciou a abertura de um processo criminal, por homicídio, contra o líder da Renamo, relacionado com o incidente de sexta-feira entre as forças de defesa e segurança e homens armados do movimento. "[Afonso Dhlakama] também faz parte dos que vêm no processo. Estamos à espera de dados completos para saber onde está", disse o porta-voz do Comando-Geral da PRM, Inácio Dina, citado na imprensa moçambicana.
Dina afirmou que, além do líder da Renamo, a ação criminal visa também todos os integrantes da sua comitiva e que as autoridades pretendem identificar o autor do disparo que matou o motorista de um carro de transporte de passageiros.
As autoridades afirmam que foi na sequência do disparo que matou o motorista que as forças de defesa e segurança se deslocaram ao local para repor a ordem e acabaram por se envolver em confrontos com a escolta de Dhlakama.
No final da sessão do Conselho de Ministros na terça-feira, o porta-voz Mouzinho Saíde disse que o número de mortos no incidente com a comitiva do líder da Renamo subiu de 20 para 24. E 23 militares da Renamo morreram no incidente, a que se somou um civil.
O líder da Renamo disse à Lusa na sexta-feira ter sido alvo de uma emboscada das forças de defesa e segurança, mas a polícia rebateu esta versão, sustentando que foi a comitiva de Dhlakama que provocou o incidente ao assassinar o motorista de um "chapa" (carrinha de transporte semipúblico) que passava no local.
Segundo a Renamo, o incidente fez sete mortos entre a comitiva de Dhlakama e dezenas entre os alegados atacantes, um balanço bastante abaixo dos primeiros números divulgados pela polícia e agravados na terça-feira pelo governo.
Dhlakama encontra-se em lugar desconhecido desde sexta-feira, embora a Renamo assegure que está bem de saúde e a controlar o partido, apelando à não retaliação.
Este é o segundo incidente em menos de duas semanas que envolve o líder da Renamo, depois de no dia 12 a comitiva de Dhlakama ter sido atacada perto do Chimoio, também na província de Manica. Na altura, a Frelimo acusou a Renamo de simular a emboscada, enquanto a polícia negou o seu envolvimento, acrescentando que estava a investigar.
Em entrevista ao semanário Savana, o ministro da Defesa, Salvador Mtumuke, também negou o envolvimento do exército. Moçambique vive sob o espetro de uma nova guerra, devido às ameaças da Renamo de governar pela força nas seis províncias do Centro e Norte do país onde reivindica vitória nas eleições gerais de 15 de outubro de 2014. Diário de Notícias

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