segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Ativistas angolanos queriam mobilizar NATO, diz embaixador

Os 15 ativistas detidos em Luanda são acusados de "envolvimento na preparação de atos de rebelião" e não só por estarem a ler um "livro subversivo" - é o que diz o embaixador itinerante angolano em entrevista à DW. 

Existirão elementos que provam que os jovens ativistas estariam a preparar um golpe de Estado?
Segundo António Luvualu de Carvalho, embaixador itinerante de Angola, caberá aos tribunais concluir a veracidade dos factos, no julgamento que iniciará a 16 de novembro. No entanto, para o emissário do chefe de Estado angolano, uma coisa é certa: em junho, quando foram detidos, os jovens ativistas não estavam apenas a ler um "livro subversivo" ("Da ditadura à democracia") do académico norte-americano, Gene Sharp.
"Eram atos de mobilização e de instrução, segundo este livro de Gene Sharp, de como é que as pessoas se deviam comportar para deixar cair um Governo - utilizando crianças, idosos, senhoras para pô-los em confronto com as autoridades, para que as autoridades matassem essas pessoas, num número estimado entre 20 e 25".
De acordo com Luvualu de Carvalho, o objetivo seria "provocar uma comoção internacional e mobilizar os países ocidentais, de preferência da NATO, a bombardearem Angola."

Presidente angolano não cederá a pressão internacional

Apesar da pressão internacional para libertar os 15 ativistas, que a organização de defesa dos direitos humanos Amnistia Internacional considera serem "presos de consciência", o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, "não tomará nenhuma posição":
"Da justiça o que é da justiça", sublinha o embaixador angolano em entrevista à DW África em Lisboa. "Havendo separação de poderes em Angola, o poder judicial irá tratar desta questão nos tribunais. Aqui em Portugal, houve uma grande pressão nacional e também internacional para que se libertasse o antigo primeiro-ministro José Sócrates, que ficou detido 11 meses sem provas, sem acusação, e o Presidente Aníbal Cavaco Silva em momento algum se pronunciou sobre este caso. Portanto, o nosso Presidente também em momento algum se pronunciará sobre casos que têm a ver com a justiça."

Direitos humanos

Várias organizações e movimentos cívicos, incluindo a Amnistia Internacional, têm denunciado um conjunto de atos de desrespeito pelos direitos humanos em Angola. No entanto, esta visão é contestada por Luvualu de Carvalho:
"Não existe falta de respeito pelos direitos humanos em Angola. Em tempos, fui confrontado com alguns vídeos de uma prisão onde guardas prisionais excederam as suas competências e, inclusive, castigavam com açoites alguns detidos. Mas, depois de essas informações terem sido tornadas públicas, estes guardas prisionais, foram detidos, julgados e os que foram condenados estão a cumprir as suas penas."

O embaixador itinerante de Angola sublinha que o país "está perfeitamente sincronizado com o século XXI", embora admita: "Claro que não é um país perfeito, como não é Portugal, nem os Estados Unidos da América, nem o Reino Unido. Mas acredita-se que todo o trabalho que tem estado a ser feito levará à evolução da sociedade."

Relações Portugal-Angola

Por outro lado, António Luvualu de Carvalho desvaloriza as críticas ao Governo de Luanda e nega que haja em Portugal um sentimento anti-angolano generalizado.
"Existem setores da sociedade portuguesa, devidamente identificados, que cultivam o ódio anti-Angola. São grupos de pessoas bem identificadas que possuem os seus meios e vão-se servindo destes meios para passarem uma mensagem odiosa e diabolizante contra o Estado angolano, contra o povo angolano."

Portanto, acrescenta, "não se pode comparar a postura do Estado português, que tem sido exemplar, com a conduta de certos indivíduos", que, segundo as recentes declarações do embaixador angolano na capital portuguesa, José Marcos Barrica, visa diabolizar Angola. Luvualu de Carvalho sustenta, a propósito, que "existe um movimento claro de alguns setores internacionais para atacar a imagem do povo angolano."
Segundo o embaixador angolano itinerante, os recentes pronunciamentos de Marcos Barrica não visaram pôr em causa as "saudáveis relações" entre os Estados angolano e português. Deutsche Welle

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