É preciso saber quais os termos e condições dos empréstimos da China à
Angola e divulgar a dívida real - é o que pedem especialistas.
A relação entre Angola e a China remonta à fase pós-guerra, período em
que foi assinado o acordo-quadro, de 28 de novembro de 2003, pelo
ministro das Finanças de Angola e do Comércio Externo e de Cooperação
Internacional com o governo da China. Em dezembro de 2011, o ex-ministro
das Finanças, Carlos Alberto Lopes, tinha dito na Assembleia Nacional
que Angola devia à China 5,6 mil milhões de dólares, dos 9 mil milhões
contraídos.
Em entrevista à DW África, o especialista em políticas públicas, David Kissadila,
recua no tempo e recorda o início da relação entre Angola e China: “A
relação entre Angola e China começou com o fim da guerra em 2002. Havia
necessidade de se reconstruir o país,.Então a China apareceu como
parceiro privilegiado. Esta parceria ajudou Angola a crescer”.
De acordo com a edição de 08 de junho de 2015 do Jornal de Angola “em
2004, a dívida de Angola com a China era de 15 mil milhões de dólares.” A
dívida de Angola prevista para 2015 é de 20 mil milhões de dólares.
Ainda em junho, o Presidente da República de Angola, José Eduardo dos
Santos, contraiu um novo crédito, após visita à China, de
aproximadamente 6 mil milhões de dólares.
A confirmação deste empréstimo foi dada pelo vice-presidente, Manuel
Vicente, na apresentação do discurso sobre o estado da Nação, na
Assembleia Nacional, de 15 de outubro. Não são conhecidas as taxas de
juros aplicadas a essa divida, notam os especialistas em Luanda.
"Corrupção caracteriza as relações bilaterais Angola / China"
O politólogo João Baruba diz que “há má governação e não prestação de
contas públicas" revelaando que o "executivo continua a violar os
princípios de boa governação e de prestação de contas”, concluí o
politólogo.
O economista Precioso Domingos diz por seu lado que se trata de falta de
transparência na gestão da máquina pública: “Uma das grandes diferenças
tem a ver com a transparência. A China, ao contrário do ocidente (das
instituições internacionais), não tem qualquer problema em conceder
empréstimos aos países. Para a China o que mais interessa é ver o seu
benefício. A China tem saído a ganhar”.
Corrupção é o fenómeno que tem caracterizado as relações bilaterais
entre Angola e China, sublinha David Kissadila: “Ao invés dos montantes
serem distribuídos equitativamente para beneficiar vários setores, eles
vão para uma atividade imediata que não tem continuidade de
rentabilidade. Isto demonstra que há interesse das pessoas em tirar os
seus dividendos sendo Angola um pais corrupto e quando o investimento é
grande as comissões também são grandes, por isso, algumas pessoas estão a
ficar ricas de noite para dia".
O especialista aponta a detenção de Sam Pa, um dos principais
intermediários nos negócios entre Angola e a China que foi preso no dia
15 de outubro no âmbito da investigação contra a corrupção, como exemplo
acabado da nódoa que suja o casamento entre os dois países:
“Determinadas personalidades angolanas estão metidas nestes negócios. A
China já deteve um suspeito de corrupção. Estes elementos é que fazem
com que não se saiba como estão a ser geridos os dinheiros de Angola.” Deutsche Welle
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