Na província nortenha de Nampula, artistas simpatizantes da FRELIMO
reclamam a falta de pagamento de atuações - por 45 dias - na última
campanha eleitoral que levou o partido e Filipe Nyusi ao Governo do
país.
Um número considerável de artistas, entre eles músicos, está desde 2014 a
reclamar a falta de apoio material e financeiro pelos trabalhos
prestados à FRELIMO durante a última campanha para as eleições gerais e
presidências - de outubro de 2014 - ganhas pelo partido no poder em
Moçambique e pelo candidato Filipe Nyusi.
“Prefiro ser um alfaiate”
A participação no processo eleitoral contou com diversas
manifestaҫões culturais a favor da FRELIMO e seu candidato, Filipe
Nyusi. Os artistas lamentam que até hoje as promessas feitas na altura
não tenham sido cumpridas.
Belo dos Santos, com mais de 12 anos de carreira artística,
carinhosamente apelidado por “3C” confessa que não voltará aos palcos
porque está dececionado com a atitude do Governo e particularmente, com a
do partido FRELIMO que o terá enganado várias vezes: “Parei há muito
tempo de lançar novas músicas. Perdi a vontade. Não existe aquela força
de vontade para o músico continuar a dar o seu melhor. Sinto que estou,
simplesmente, a gritar para não ganhar nada. Prefiro ser um alfaiate”.
O artista diz que se voltar a gravar músicas, será apenas para ele e sua família.
“Bolo grande”
Germano Ernesto, popularmente conhecido por Nico, também foi alvo de
promessas da FRELIMO que, segundo ele, não passaram de falsas
declaraҫões.
“A campanha acabou e ficamos a espera do ‘bolo grande’ que nos tinham
prometido. Nós músicos não tinhamos que exigir o tipo do ‘bolo’, mas
ficamos a saber que essa "prenda" seria uma aparelhagem. Depois da
campanha terminar, a atual governadora da provincia de Sofala, Helena
Taipo [a então chefe do Gabinete Eleitoral da FRELIMO na cidade de
Nampula] foi embora sem nos dizer nada”.
Nico disse ainda que a antiga ministra do Trabalho Helena Taipo foi
forҫada, depois de uma prolongada greve pacífica realizada no último mês
de fevereiro por 40 músicos, a assinar um cheque no valor de 100 mil
meticais, (cerca de 2088 euros), para honrar os compromissos assumidos
pelo partido junto dos artistas que participaram de várias atividades no
período que antecedeu as eleições.
“Recebi quatro mil meticais para trabalhar 45 dias, quando na verdade,
recebo no mínimo cinco mil meticais por um show”, lamentou Nico.
Vira-casacas
Os músicos dizem que não vão pressionar a FRELIMO a cumprir com os
pagamentos e Nico justifica: “As coisas já estão a ferver, porque, eu
não posso esconder, nós músicos já estamos a ser conquistados [pela
oposição]”.
Germano Ernesto considera que o governo da FRELIMO tem contribuído para a
desvalorização da cultura moçambicana precisamente devido a falta de
incentivos, quer seja do ponto de vista material ou financeiro: “O povo
já não escuta mais música de Nampula. O povo começa a escutar música de
Angola. Já houve um tempo em que a música de Nampula estava forte, mas,
caiu porque não abraçaram o próprio músico. Músico precisa de carinho”.
Voz da FRELIMO
Entretanto, Leonel Namuquita, primeiro secretário da FRELIMO, a nível da
cidade de Nampula, não confirma e nem desmente a existência de
conflitos entre o seu partido e os artistas. Mas garante que os
problemas existentes estão a ser solucionados paulatinamente.
“Acredito que os compromissos assumidos serão cumpridos. Não podemos
desviar as atenções daquilo que é o programa quinquenal [2015/2019]. Há
prioridades. Portanto, é este o desafio para o bem estar das populações
da cidade de Nampula”, esclarece Namuquita
Na semana passada, pelo menos 13 músicos protestaram junto às
instalações do governo distrital de Nampula para reivindicar o pagamento
das suas atuações, num espetáculo realizado em junho por ocasião da
comemoração do dia da Independência de Moçambique. Deutsche Welle
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