“A nossa capacidade de adaptação é bastante fraca,
temos infra-estruturas bastante frágeis e não estamos preparados,” diz o
ambientalista Roberto Zolho.
“Que mundo é este que explora os recursos pensando que são inesgotáveis…só por causa do lucro?”
Nzira de Deus, directora executiva do Fórum Mulher, diz que a questão
será colocada aos líderes mundiais, que reúnem, próxima semana, em
Paris, para tentar alcançar um acordo global para enfrentar os efeitos
das mudanças climáticas.
“Queremos exigir aos Estados para se responsabilizarem pela
destruição que estão a fazer ao planeta sem ter em conta o futuro”, diz a
executiva desta organização que congrega defensores dos direitos da
mulher e lidera a luta pela equidade de género em Moçambique.
Antes de Paris, Deus sublinha que em Moçambique as mulheres já sentem
o impacto das mudanças climáticas, sendo grave o facto de, por causa da
seca, “perderem as suas terras e não conseguir produzir para alimentar
as suas famílias”.
No Índice de Vulnerabilidade às Mudanças Climáticas, Moçambique é
considerado o quinto país mais vulnerável do mundo. Entre outros
factores, concorre para tal a exposição ao risco, por ser banhado pela
bacia do Índico, região activa em ciclones tropicais; e o facto de
situar-se à jusante das nove bacias hidrográficas partilhadas na região.
Especialistas dizem que, no país, as mudanças climáticas terão um
impacto em áreas sensíveis como agricultura e saúde, afectado sobretudo
as mulheres e a população rural já empobrecida.
Além da fome, as mudanças climáticas poderão acentuar a ocorrência de
distúrbios psicossociais, doenças respiratórias, malária, dengue e
cólera.
Mais de metade dos 25 milhões de moçambicanos vive nas zonas rurais e
depende da agricultura de subsistência. A rede sanitária é deficiente e
mal responde à situações normais.
O ambientalista Roberto Zolho diz que a situação no país, que já
sofre ciclicamente de cheias e secas, vai piorar. E “a nossa capacidade
de adaptação é bastante fraca, temos infra-estruturas bastante frágeis e
não estamos preparados.”
Zolho recorda que este ano, por causa do fenómeno de El Nino, “já experimentamos algumas bolsas de fome”.
Contudo, este ambientalista, sublinha que o país tem estratégias de
adaptação e mitigação que poderão ajudar a enfrentar os cenários.
Cauteloso, Zolho diz que “devido ao nosso passado histórico, temos
boas leis, mas a sua implementação continua a ser um desafio muito
grande (…) mas neste ciclo de governação temos notado uma certa abertura
dos decisores”.
A visão da estratégia do país é “Moçambique próspero e resiliente às
mudanças climáticas, com uma economia verde em todos os sectores sociais
e económicos”.
Ndzira de Deus lamenta a pouca divulgação da estratégia: “Em termos
concretos, não se tem feito sentir na vida das pessoas. As comunidades
têm pouco conhecimento deste instrumento”.
É preciso conceber estratégias e implementar, adverte. Voz da América
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