quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Presidente moçambicano diz que "não está a ser possível" falar com líder da Renamo

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, disse, este domingo, que pretende dialogar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, para devolver a estabilidade ao país, "mas não está a ser possível".

"Estou a fazer o esforço de conversar com ele [Afonso Dhlakama], mas não está a ser possível", declarou o chefe de Estado, citado pela Agência de Informação de Moçambique, durante um encontro em Maputo com bispos da Conferência Episcopal moçambicana.
O líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição em Moçambique, não é visto em público há um mês depois uma operação policial na sua residência na Beira, província de Sofala, que visava a recolha de armas e após vários outros incidentes entre a sua guarda e as forças de defesa e segurança na província de Manica.
No encontro com os líderes religiosos, que hoje apelaram ao Governo e à Renamo para o abandono das armas e início imediato do diálogo, Nyusi rejeitou um cenário de mediação internacional.
"Acho que este é um assunto que pode ser resolvido dentro de casa. É uma conversa de quarto. Não vejo motivo para se escolher um país para resolver isso. Estou a fazer tudo para ter o diálogo", afirmou.
Moçambique vive momentos de incerteza política, provocada pela recusa da Renamo em reconhecer os resultados das eleições gerais de 15 de outubro do ano passado e pela sua proposta de governar nas seis províncias onde reclama vitória, sob ameaça de tomar o poder pela força.
As últimas semanas têm sido marcadas por confrontos entre as partes, estando a decorrer uma operação policial de recolha de armas da Renamo em vários pontos do país, num dos momentos de maior tensão política e militar desde o Acordo Geral de Paz, que selou, em 1992 em Roma, 16 anos da guerra civil, então sob mediação da organização católica Comunidade de Santo Egídio.
Aos bispos católicos, o Presidente da República pediu que ajudem o Governo com soluções e não apenas com a identificação de problemas, reiterando que a causa da instabilidade do país reside na pobreza.
"Trata-se de desentendimento entre duas pessoas e apenas uma questão de um sair e entrar outro não vai resolver nada", sustentou o chefe de Estado, para quem, "enquanto existirem pessoas que não têm comida, gente que não tem saúde, gente que não tem educação, a estabilidade vai faltar".
Nyusi também se referiu às ameaças financeiras e económicas que o país atravessa, traduzidas pela forte depreciação do metical face ao dólar, queda do investimento estrangeiro e do apoio externo, redução de divisas e aumento da dívida.
"Não tenho remorsos de afirmar que estamos a principiar um novo ciclo de governação com a menor disponibilidade de divisas, que decorre também da redução dos níveis de ajuda externa ao nosso país", afirmou, retomando o discurso proferido no dia 29 de outubro, na cerimónia de 20 anos do banco Millennium bim, quando resistiu a uma atitude de desespero e avisou que o Governo tenciona "implementar reformas estruturais do tecido produtivo".
A Igreja Católica moçambicana apelou hoje ao Governo e à Renamo para que abandonem as armas e retomem de imediato o diálogo, deplorando "a incoerência entre o que se diz e o que se faz".
"Apelamos ao Governo e à Renamo para o abandono absoluto das armas, a retomada imediata do diálogo eficaz entre as partes em conflito, envolvendo outras forças vivas da sociedade", disse o arcebispo de Maputo, Francisco Chimoio, no encontro com o Presidente moçambicano. Jornal de Notícias

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