Várias cidades moçambicanas, principalmente a capital, têm vindo a ser
assoladas por raptos contando-se já várias dezenas de vítimas. O governo
anunciou que tem pistas para deter os mandantes desses sequestros.
As principais cidades moçambicanas, nomeadamente a capital, Maputo, têm
vindo a ser assoladas por raptos contando-se já várias dezenas de
vítimas, maioritariamente libertadas mediante pagamento de resgate.
Face à esta situação, o ministro moçambicano do Interior, Basilio
Monteiro, veio a público afirmar esta quarta-feira (09.12) que a polícia
já tem pistas dos mandantes dos raptos e que um deles estará em Maputo,
dentro de dias.
"Muito próximamente poderemos ter a situação sob controle. Temos
informações interessantes que nos transmite uma certa confiança de que
alguns mandantes dos raptos estão a ser localizados. Por exemplo, dentro
de dias teremos um dos mandantes aqui na cidade de Maputo. Dos
operacionais, existem números expressivos que já foram desarticulados e
outros ainda que estão a caminho dos tribunais".
Basilio Monteiro não adiantou pormenores, nomeadamente sobre a identidade do alegado mandante.
O ministério do Interior vinha apontando como principal constrangimento
no combate a este tipo de crime a dificuldade da policia em encontrar os
mandantes dos raptos.
Basilio Monteiro revelou, igualmente, que a polícia já tem pistas para
deter os alegados indivíduos que alvejaram a tiro esta terça-feira (
08.12) em Maputo o advogado Carlos Jeque, antigo presidente do conselho
de administração das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM),
"Encontramos sinais de um grupo de extorquidores. O nosso sentimento é
que daquele grupo, que por alguma razão saiu da cadeia há pouco tempo,
formou alianças com um outro e tudo fazem para extorquir e amedrontar o
cidadão por via de roubo e outros mecanismos".
Raptos assolam Moçambique desde 2011
A onda de raptos está a abalar o país desde 2011 e só no ano passado
registaram-se pelo menos 19 raptos, principalmente nas cidades de
Maputo, Matola e Beira.
A maior parte das vítimas foi libertada mediante o pagamento de
avultadas somas de resgate, chegando a atingir mais de um milhão de
dólares.
O Governo agravou em 2013 as penas para crimes de raptos e desde então
várias pessoas foram condenadas a pesadas penas, mas a ação da justiça
não conseguiu travar a ocorrência de novos casos.
Entre os condenados figuram diversos agentes da polícia e um elemento da guarda presidencial.
Basilio Monteiro disse que o ministério do Interior está a tomar medidas para inverter a situação.
"O número de agentes que estão a ser expulsos em conivência com o crime
tem estado a conhecer um ligeiro agravamento. O que nos interessa, mesmo
que sejam poucos polícias a permanecerem na corporação, que sejam
profissionais comprometidos com a causa".
Analistas dizem ser fundamental a modernização da policia, através de meios materiais e humanos para conter a onda de raptos.
O antigo Procurador Geral da República, Augusto Paulino, chegou a
descrever a onda de raptos no país como uma verdadeira ameaça à paz, ao
desenvolvimento e à soberania do Estado.
Deutsche Welle
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