quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Raul Tati, ativista de Cabinda: "Regime angolano tem o gene da violência"

Segundo o ativista, o governo angolano continua a silenciar as vozes "incómodas" em Cabinda. "O regime insiste em utilizar a repressão, porque tem no seu DNA, na sua natureza genética, o elemento da violência", diz. 

Numa longa entrevista concedida à DW África, o ativista de Cabinda Raul Tati, fala da contínua tentativa do regime angolano de querer silenciar os ativistas no enclave, da situação do Dr. Arão Tempo que continua à espera de uma decisão do tribunal, do estado de saúde de Marcos Mavungo, condenado a seis anos de prisão efetiva, e da solidariedade que deveria ser "mais organizada" para apoiar a família Mavungo que enfrenta sérias dificuldades financeiras.

Começamos por perguntar a Raúl Tati se o recente julgamento dos ativistas em Luanda poderá ser algo catalizador e animar ainda mais os ativistas em Cabinda.

Sistema de colonização


Segundo o ativista Raul Tati, embora o regime seja o mesmo, o que se passa em Cabinda tem uma lógica própria "que é a lógica de ocupação e de um sistema de colonização", ou seja, a de combater todas as vozes dissidentes sobretudo aquelas que continuam a tentar manter presente a questão de Cabinda.

Raul Tati está ciente de que o regime quer fazer tudo por tudo para "destruir, abafar e aniquilar tudo aquilo que tem a ver com a resistência de Cabinda, sobretudo essas vozes que continuam hoje a fazer-se ouvir e silenciá-las como fizeram com a prisão de Marcos Mavungo".

Julgamento dos 15+2 em Luanda com repercussões em Cabinda?

Para Tati, o que está a acontecer atualmente em Angola com os jovens revolucionários de alguma maneira poderá ter repercussões em Cabinda porque "o regime é o mesmo e tenho dito sempre que esse regime tem no seu DNA, na sua natureza genética, o elemento da violência
Raul Tati lembra que o que se vive hoje em Angola "foi sempre assim nos últimos 40 anos", mas que "o desanuviamento da situação com os jovens revolucionários em Luanda pode trazer também um certo desanuviamento em Cabinda, mas não é provado que assim aconteça.

Há jovens revolucionários que dizem que querem fazer um golpe de Estado. Em Cabinda queremos outra coisa e para eles aqui se trata de uma rebelião, tanto assim que José Marcos Mavungo e Arão Tempo foram ambos acusados de crime de rebelião". Sobre o processo de Arão Tempo, o nosso entrevistado diz que "ainda está a correr os seus trâmites e que ainda não foi marcada a data para o julgamento.". Issotudo aconteceria, "mesmo sabendo que o processo já se encontra no tribunal e ninguém é informado sobre o que se passa".

Prisão de Anacleto Mbiquila

A este propósito, quisemos saber mais sobre a recente prisão de Anacleto Mbiquila, secretário do Dr. Arão Tempo, Bastonário dos Advogados de Luanda em Cabinda.

Esta foi mais uma tetativa para amordaçar o advogado de Cabinda, que é o Dr. Arão Tempo, disse o ativista para em seguida acrescentar que "daqui a pouco estamos a ver o escritório desse advogado a ser encerrado, precisamente devido às pressões de todos os lados. Esta última detenção do seu secretário tem muito a ver com a perseguição aberta feita contra o advogado".

Por outro lado, Raul Tati interroga-se "porque é que até agora não julgaram o Dr. Arão Tempo se a detenção foi feita no mesmo dia com Marcos Mavungo?".

Para o ativista Raúl Tati, José Marcos Mavungo, que foi condenado em setembro a uma pena de seis anos de prisão efetiva pela alegada prática de um crime de rebelião contra o Estado, está psiquicamente bem mas "ele próprio já confessou que não se sente muito bem porque tem tido alguns problemas cardíacos. Aliás esses problemas já tinham sido diagnosticados no mês seguinte à sua detenção. É um problema que carece de um tratamento especializtado que não pode ser na cadeia". Ler +

Sem comentários:

Enviar um comentário