Segundo o ativista, o governo angolano continua a silenciar as vozes
"incómodas" em Cabinda. "O regime insiste em utilizar a repressão,
porque tem no seu DNA, na sua natureza genética, o elemento da
violência", diz.
Numa longa entrevista concedida à DW África, o ativista de Cabinda Raul
Tati, fala da contínua tentativa do regime angolano de querer silenciar
os ativistas no enclave, da situação do Dr. Arão Tempo que continua à
espera de uma decisão do tribunal, do estado de saúde de Marcos Mavungo,
condenado a seis anos de prisão efetiva, e da solidariedade que deveria
ser "mais organizada" para apoiar a família Mavungo que enfrenta sérias
dificuldades financeiras.
Começamos por perguntar a Raúl Tati se o recente julgamento dos
ativistas em Luanda poderá ser algo catalizador e animar ainda mais os
ativistas em Cabinda.
Sistema de colonização
Segundo o ativista Raul Tati, embora o regime seja o mesmo, o que se
passa em Cabinda tem uma lógica própria "que é a lógica de ocupação e
de um sistema de colonização", ou seja, a de combater todas as vozes
dissidentes sobretudo aquelas que continuam a tentar manter presente a
questão de Cabinda.
Raul Tati está ciente de que o regime quer fazer tudo por tudo para
"destruir, abafar e aniquilar tudo aquilo que tem a ver com a
resistência de Cabinda, sobretudo essas vozes que continuam hoje a
fazer-se ouvir e silenciá-las como fizeram com a prisão de Marcos
Mavungo".
Julgamento dos 15+2 em Luanda com repercussões em Cabinda?
Para Tati, o que está a acontecer atualmente em Angola com os jovens
revolucionários de alguma maneira poderá ter repercussões em Cabinda
porque "o regime é o mesmo e tenho dito sempre que esse regime tem no
seu DNA, na sua natureza genética, o elemento da violência
Raul Tati lembra que o que se vive hoje em Angola "foi sempre assim nos
últimos 40 anos", mas que "o desanuviamento da situação com os jovens
revolucionários em Luanda pode trazer também um certo desanuviamento em
Cabinda, mas não é provado que assim aconteça.
Há jovens revolucionários que dizem que querem fazer um golpe de Estado.
Em Cabinda queremos outra coisa e para eles aqui se trata de uma
rebelião, tanto assim que José Marcos Mavungo e Arão Tempo foram ambos
acusados de crime de rebelião". Sobre o processo de Arão Tempo, o nosso
entrevistado diz que "ainda está a correr os seus trâmites e que ainda
não foi marcada a data para o julgamento.". Issotudo aconteceria, "mesmo
sabendo que o processo já se encontra no tribunal e ninguém é informado
sobre o que se passa".
Prisão de Anacleto Mbiquila
A este propósito, quisemos saber mais sobre a recente prisão de Anacleto
Mbiquila, secretário do Dr. Arão Tempo, Bastonário dos Advogados de
Luanda em Cabinda.
Esta foi mais uma tetativa para amordaçar o advogado de Cabinda, que é o
Dr. Arão Tempo, disse o ativista para em seguida acrescentar que "daqui
a pouco estamos a ver o escritório desse advogado a ser encerrado,
precisamente devido às pressões de todos os lados. Esta última detenção
do seu secretário tem muito a ver com a perseguição aberta feita contra o
advogado".
Por outro lado, Raul Tati interroga-se "porque é que até agora não
julgaram o Dr. Arão Tempo se a detenção foi feita no mesmo dia com
Marcos Mavungo?".
Para o ativista Raúl Tati, José Marcos Mavungo, que foi condenado em
setembro a uma pena de seis anos de prisão efetiva pela alegada prática
de um crime de rebelião contra o Estado, está psiquicamente bem mas "ele
próprio já confessou que não se sente muito bem porque tem tido alguns
problemas cardíacos. Aliás esses problemas já tinham sido diagnosticados
no mês seguinte à sua detenção. É um problema que carece de um
tratamento especializtado que não pode ser na cadeia". Ler +
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