O número de pessoas que fogem de
Moçambique em busca de asilo no Malawi "aumentou significativamente ao
longo das últimas semanas", segundo o Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados (Acnur).
Genebra - O número de pessoas que fogem de
Moçambique em busca de asilo no Malawi "aumentou significativamente ao
longo das últimas semanas", segundo o Alto Comissariado das Nações
Unidas para Refugiados (Acnur).
Segundo dados do Acnur, o Malawi acolhe atualmente 3.265 cidadãos
moçambicanos que na maioria são originários da província central de
Tete.
Os recém-chegados disseram que fugiram de combates entre homens da
Renamo, o maior partido da oposição, e as forças do governo. As
declarações foram prestadas ao Acnur e às autoridades malawianas.
A representante da agência das Nações Unidas no Malawi declarou à
Rádio ONU, de Lilongwe, que decorrem esforços para apoiar às vítimas. As
ações são realizadas em parceria com outras agências das Nações Unidas.
De acordo com Monique Ekoko, 2.887 moçambicanos vivem na aldeia de Kapise e outros 387 no distrito de Chikwawa.
A agência da ONU trabalha com o governo do país anfitrião para coordenar a resposta aos recém-chegados.
Ekoko disse que um plano de contingência de US$ 700 mil dólares foi
feito pela agência para abordar as necessidades destes cidadãos.
A malária é uma das principais preocupações dos refugiados e o número
de doentes observados diariamente aumentou de 70 para 250. Uma clínica
foi instalada pelo Programa Mundial de Alimentação, PMA, e a ONG Médicos
Sem Fronteiras, MSF.
Um funcionário do Acnur mencionou declarações de refugiadas a dar
conta de fogo colocado na sua casa, que resultou na morte de uma idosa.
Relatos não confirmados pela agência referem que forças do governo
teriam atacado aldeias por acreditarem que estas possam abrigar membros
da oposição.
Os fugitivos revelaram que pais foram separados dos filhos durante a
viagem para o país vizinho e ainda não puderam encontrá-los.
Em meados de 2015, foram registadas cerca de 700 chegadas de
Moçambique, na área onde o Acnur distribuiu artigos de ajuda
humanitária. Trata-se de cobertores, tendas, utensílios domésticos e
instrumentos agrícolas.
Os refugiados foram hospedados em comunidades locais como parte de
acordos com as autoridades nacionais e locais, numa altura em que se
acreditava que a situação seria temporária.
Entretanto, nas últimas semanas fala-se de uma mudança da situação
devido ao aumento de pessoas que atravessam a fronteira para o Malawi.
Com o receio que esteja iminente um surto de cólera, a MSF perfurou
dois poços e planeia entregar um terceiro para melhorar o abastecimento
de água.
O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) instalou latrinas temporárias
e sanitárias para evitar crises de saúde. A agência forneceu tenda para
que as crianças possam brincar e aprender.
O trabalho na área da saúde materna está a ser planeado pelo Fundo da ONU para a População (Unfpa).
As autoridades malawianas pensam em reabrir o Acampamento de
Refugiados de Luwani. O local acolheu moçambicanos durante a guerra
civil terminada em 1992. Mais de 1 milhão de moçambicanos viviam no país
vizinho.
O Malawi acolhe cerca de 25 mil refugiados que na sua maioria são da
região dos Grandes Lagos. O acampamento de Dzaleka, a 35 quilómetros da
capital Lilongwe, teve cerca de metade de alimentos cortados desde
outubro passado. África 21
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