terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Consumo de drogas é a terceira causa de perturbações mentais

O CONSUMO de drogas no país é a terceira causa de perturbações mentais que afecta 3,4 por cento da população, disse à LUSA fonte do Ministério da Saúde, que admite a falta de centros de reabilitação de toxicodependentes.
“As drogas continuam a ser a terceira causa das doenças mentais no nosso país”, disse, em entrevista à LUSA, a chefe do Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Lídia Gouveia, lamentando o facto de o nível de consumo de estupefacientes entre as camadas mais jovens estar a aumentar no país.
Mais de 3,4 por cento da população sofrem de psicoses em todo o país, Lídia Gouveia considerou que Moçambique precisa de centros de reabilitação para toxicodependentes, assentes em infra-estruturas que disponham de recursos técnicos e financeiros para assistir doentes mentais, em particular.
“Na maioria dos casos, os familiares têm receio de levar os dependentes aos centros psiquiátricos, alegando que eles não são doentes mentais”, afirmou a médica, justificando, por isso, a necessidade de se instalar “pelo menos um centro de reabilitação de toxicodependentes” em Moçambique. Actualmente, o país conta com seis centros para assistência de doentes mentais integrados num Serviço Nacional de Saúde (SNS), composto apenas por 373 profissionais da área mental, entre psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras, num território com mais de 24 milhões de habitantes, dos quais 1,6 por cento da população sofre de atraso mental.
Lídia Gouveia apontou a epilepsia e a esquizofrenia como os principais diagnósticos nos últimos tempos em Moçambique, destacando, a título de exemplo, que a maior parte das mais de 70 mil consultas psiquiátricas de 2014 apresentou sintomas relacionados a estas duas doenças.
“A epilepsia, por exemplo, é uma outra doença que nos preocupa bastante”, admitiu a médica, acrescentando que, tal como a toxicodependência, na maioria dos casos os familiares do doente têm vergonha de apresentá-lo nos centros psiquiátricos.
A epilepsia afecta cerca de 3,11 por cento da população moçambicana e, embora em muitos países seja separada das doenças mentais, em Moçambique é tratada pelo Departamento de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
Além de tratar epilépticos, esquizofrénicos e toxicodependentes, o Departamento de Saúde Mental assiste também pessoas com doenças afectivas, casos de depressões, causa da maioria dos suicídios no país.
“Por exemplo, estamos agora a assistir pessoas com SIDA, que enfrentam estigma, e também fazemos assistência a mulheres que sofreram traumas devido à violência doméstica”, salientou Lídia Gouveia, acrescentando que um dos principais desafios do seu elenco é a falta de recursos humanos e financeiros para fazer face à situação. Notícias

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