terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Dhlakama garante: Presidente sul-africano e igreja Católica vão mediar diálogo Renamo-Governo

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, garantiu hoje que o Presidente sul-africano Jacob Zuma e a igreja Católica manifestaram "prontidão" para mediarem o conflito político-militar em Moçambique, e acusou o Governo de "fintar" o diálogo.

"Sim, já tive resposta. A igreja Católica já manifestou a prontidão, só que não pode por si só, estas coisas de mediação sabem, é preciso que ambos lados estejam disponíveis. É preciso que a Frelimo e o Governo demonstrem também esta boa vontade. E também tenho indicações que o Presidente (Jacob) Zuma está disposto a ajudar os irmãos moçambicanos", disse Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição.
Falando durante a abertura de uma reunião de quadros do partido ao nível da cidade da Beira, Sofala, centro de Moçambique, a primeira que orienta por telefone este ano, a partir de Sadjundjira, na Gorongosa, província de Sofala, Afonso Dhlakama, disse que só após a constituição da nova equipa de mediação e "avaliarmos bem, algumas coisas podem andar".
Contudo condicionou a realização dos encontros na serra da Gorongosa, onde fica o quartel-general do partido, e onde voltou a viver há três meses, após o cerco e invasão da sua casa na cidade da Beira por forças especiais da Polícia moçambicana, de onde levaram 16 armas.
"Não estou no lugar incerto. Eu sai da Beira a andar porque não gostei daquelas coisas todas (cerco e invasão), eu havia de mandar explodir tudo por completo, havia de fazer massacre (em resposta), mas evitei, por isso estou cá (Sadjundjira), até porque é quartel-general estou mais seguro", insistiu Afonso Dhlakama, sobre o seu paradeiro e o condicionamento do local para o diálogo.
Afonso Dhlakama acusou o Presidente moçambicano de estar a fazer "falácia enganosa e fantochada" quanto aos convites endereçados à Renamo, questionando que "se tivesse morrido no dia 12 ou 25 de setembro (incidentes com a caravana da Renamo em Manica, onde o Governo contabilizou 25 mortos) ele havia de negociar com quem?".
Avisou entretanto, que a sua governação a partir de março próximo não está condicionada ao diálogo com o Governo, afiançando que a prioridade "do momento é tomarmos conta das nossas províncias", que garante querer implantar "tranquilamente e sem tiros".
"Março já chegou e as coisas estão preparadas. Jacob Zuma não é para resolver tudo, é para ajudar, estar no meio entre a Renamo e a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique, no poder) e o convidamos para ser mediador, a Frelimo está a dar voltas", precisou Afonso Dhlakama, reconhecendo que Jacob Zuma tem fortes ligações com a Frelimo, pela irmandade com o Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul.
O líder da Renamo disse que a questão da ilegalidade e inconstitucionalidade da sua administração, que levou a maioria da Frelimo a chumbar na Assembleia da República um projeto de lei de criação de autarquias provinciais e um projeto de revisão pontual da Constituição da República, vai ser ultrapassada durante as negociações.
Adiantou que debaixo de uma árvore em Sadjundjira pode se acrescentar à Constituição "a clausula que diz que o partido que tiver uma maioria numa província governa com os seus manifestos".
"Digam o que é preciso, primeiro vamos governar, se é para legalizar, vamos legalizar enquanto já estamos a governar. Também não é legalizar quando se trata da Renamo, porque não obrigam a Frelimo, que já governa o país desde 1994 através do roubo, as pessoas só vão levantar cabeça quando é Dhlakama que diz vamos governar as províncias onde ganha?", questionou, sustentando que se fosse belicista já teria tomado o poder pela força militar, e alertou para que o Governo não use armas.
Exemplificando a governação que pretende por em prática, Afonso Dhlakama disse que "é só chegar em Maringue, de dia, dizer ao administrador 'olha já não és administrador, quem te substitui neste momento é esta senhora Teresa, da Renamo'. Isto irá acontecer também com o comandante (da força) de intervenção rápida ou da esquadra e assim será na Beira, Tete, Nampula e outros lugares".
Moçambique vive uma crise política e militar desde 2013, que se manteve com a recusa da Renamo em reconhecer a derrota nas eleições gerais de outubro de 2014, e insiste na criação de seis províncias autónomas no centro e norte do país, onde reivindica vitória eleitoral e elegeu 81 dos 89 deputados para o Parlamento. Diário de Notícias

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