"Sim, já tive resposta. A igreja Católica
já manifestou a prontidão, só que não pode por si só, estas coisas de
mediação sabem, é preciso que ambos lados estejam disponíveis. É preciso
que a Frelimo e o Governo demonstrem também esta boa vontade. E também
tenho indicações que o Presidente (Jacob) Zuma está disposto a ajudar os
irmãos moçambicanos", disse Afonso Dhlakama, líder da Resistência
Nacional Moçambicana (Renamo), maior partido da oposição.
Falando
durante a abertura de uma reunião de quadros do partido ao nível da
cidade da Beira, Sofala, centro de Moçambique, a primeira que orienta
por telefone este ano, a partir de Sadjundjira, na Gorongosa, província
de Sofala, Afonso Dhlakama, disse que só após a constituição da nova
equipa de mediação e "avaliarmos bem, algumas coisas podem andar".
Contudo
condicionou a realização dos encontros na serra da Gorongosa, onde fica
o quartel-general do partido, e onde voltou a viver há três meses, após
o cerco e invasão da sua casa na cidade da Beira por forças especiais
da Polícia moçambicana, de onde levaram 16 armas.
"Não
estou no lugar incerto. Eu sai da Beira a andar porque não gostei
daquelas coisas todas (cerco e invasão), eu havia de mandar explodir
tudo por completo, havia de fazer massacre (em resposta), mas evitei,
por isso estou cá (Sadjundjira), até porque é quartel-general estou mais
seguro", insistiu Afonso Dhlakama, sobre o seu paradeiro e o
condicionamento do local para o diálogo.
Afonso
Dhlakama acusou o Presidente moçambicano de estar a fazer "falácia
enganosa e fantochada" quanto aos convites endereçados à Renamo,
questionando que "se tivesse morrido no dia 12 ou 25 de setembro
(incidentes com a caravana da Renamo em Manica, onde o Governo
contabilizou 25 mortos) ele havia de negociar com quem?".
Avisou
entretanto, que a sua governação a partir de março próximo não está
condicionada ao diálogo com o Governo, afiançando que a prioridade "do
momento é tomarmos conta das nossas províncias", que garante querer
implantar "tranquilamente e sem tiros".
"Março
já chegou e as coisas estão preparadas. Jacob Zuma não é para resolver
tudo, é para ajudar, estar no meio entre a Renamo e a Frelimo (Frente de
Libertação de Moçambique, no poder) e o convidamos para ser mediador, a
Frelimo está a dar voltas", precisou Afonso Dhlakama, reconhecendo que
Jacob Zuma tem fortes ligações com a Frelimo, pela irmandade com o
Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul.
O
líder da Renamo disse que a questão da ilegalidade e
inconstitucionalidade da sua administração, que levou a maioria da
Frelimo a chumbar na Assembleia da República um projeto de lei de
criação de autarquias provinciais e um projeto de revisão pontual da
Constituição da República, vai ser ultrapassada durante as negociações.
Adiantou
que debaixo de uma árvore em Sadjundjira pode se acrescentar à
Constituição "a clausula que diz que o partido que tiver uma maioria
numa província governa com os seus manifestos".
"Digam
o que é preciso, primeiro vamos governar, se é para legalizar, vamos
legalizar enquanto já estamos a governar. Também não é legalizar quando
se trata da Renamo, porque não obrigam a Frelimo, que já governa o país
desde 1994 através do roubo, as pessoas só vão levantar cabeça quando é
Dhlakama que diz vamos governar as províncias onde ganha?", questionou,
sustentando que se fosse belicista já teria tomado o poder pela força
militar, e alertou para que o Governo não use armas.
Exemplificando
a governação que pretende por em prática, Afonso Dhlakama disse que "é
só chegar em Maringue, de dia, dizer ao administrador 'olha já não és
administrador, quem te substitui neste momento é esta senhora Teresa, da
Renamo'. Isto irá acontecer também com o comandante (da força) de
intervenção rápida ou da esquadra e assim será na Beira, Tete, Nampula e
outros lugares".
Moçambique vive uma
crise política e militar desde 2013, que se manteve com a recusa da
Renamo em reconhecer a derrota nas eleições gerais de outubro de 2014, e
insiste na criação de seis províncias autónomas no centro e norte do
país, onde reivindica vitória eleitoral e elegeu 81 dos 89 deputados
para o Parlamento. Diário de Notícias
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