A pesquisadora Rebecca Engebretsen,
da Universidade de Oxford, considera que se a classe média em Angola
continuar a perder poder de compra isso pode desencadear perturbações
sociais e políticas como aconteceu em vários países na Primavera Árabe.
Londres - A pesquisadora Rebecca Engebretsen, da
Universidade de Oxford, considera que se a classe média em Angola
continuar a perder poder de compra isso pode desencadear perturbações
sociais e políticas como aconteceu em vários países na Primavera Árabe.
"Um decréscimo no poder de compra do grupo que detém o poder em
Luanda pode desencadear perturbações sociais e políticas, como aconteceu
noutros países durante a Primavera Árabe", escreveu a investigadora
Rebecca Engebretsen numa análise publicada na AllAfrica Global Media,
citada pela agência Lusa.
Para esta doutoranda em Oxford, o Governo angolano, assim com a
classe dirigente, "no ambiente de preços baixos, enfrenta um dilema
delicado", que consiste em apostar na diversificação económica a sério,
mas isso implica que a classe média e a elite dirigente perca os
benefícios da oligarquia que foi criando.
"Por um lado, os decisores políticos estão cientes que defender o
valor da moeda é cada vez mais oneroso, e a sua capacidade para o
fazerem está a diminuir porque as reservas externas continuam a ser
usadas", escreve Rebecca Engebretsen, acrescentando que, "ao mesmo
tempo, estão também cientes que a desvalorização pode ser boa para
promover outras partes da economia que há muito sofrem de falta de
competitividade".
Aumentar a atratividade dos setores não petrolíferos "é crucial se
Angola quiser acabar com os ciclos de crescimento-empobrecimento" que
surgem da exposição excessiva à variação dos preços do petróleo.
Aumentar a diversificação económica tem, no entanto, desvantagens:
"Por outro lado, aumentar a competição pode colocar em perigo os
interesses da classe dirigente que pode perder as suas posições
oligárquicas, até porque se as importações se tornarem mais caras, a
classe média cada vez maior de Angola pode ter dificuldade de acesso aos
bens internacionais que se habituou a ter, e os decisores políticos em
Luanda estão bem cientes que uma diminuição no poder de compra do grupo
que detém o poder pode desencadear perturbações sociais e políticas,
como aconteceu noutros países durante a Primavera Árabe".
Para já, as grandes reservas internacionais têm permitido a
'quadratura do círculo', estando a ser usadas "pelo Governo para
defender o valor do kwanza e apoiar as necessidades de importação em vez
de qualquer transformação real da economia"
Só que, conclui Rebecca Engebretsen, "se os preços do petróleo
continuarem baixos, é questionável quanto tempo este modelo pode
realisticamente ser mantido".
Na análise, a investigadora lembra que entre 2002 e 2014 Angola
recebeu 468 mil milhões de dólares em receitas do petróleo, que vale 95%
das exportações e mais de 75% das receitas fiscais.
A queda do preço do petróleo fez descer as receitas fiscais em mais
de 50% face ao ano passado e cortou todas as previsões de crescimento da
economia para 2016, que não deve passar dos 4%. África 21
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