"Num verdadeiro Estado de Direito,
governa quem tem aval do povo e isto se faz através de voto nas urnas,
de forma transparente, livre e justa" defendeu Daviz Simango, líder do
MDM, que acusou o governo de "violar os direitos humanos e empurrar o
país para parte incerta".
Beira - O líder do terceiro maior partido
moçambicano, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango,
reiterou nesta terça-feira (05) o apoio à criação de províncias
autónomas, com eleição dos governadores provinciais, insistindo que a
medida vai introduzir "cultura de responsabilidades" no Estado.
"Moçambique vive uma forte cultura centralista e hegemónica. É
preciso contrapor esta mentalidade, para um caminho consensual e uma
política correcta", precisou Simango, presidente do Movimento
Democrático de Moçambique (MDM), defendendo que só através do "voto do
povo" o importante cargo administrativo poderá ser exercido de maneira
democrática.
O também autarca da Beira, afiançou que Moçambique precisa de um
Estado "menos centralizado e menos burocratizado", sustentando que a
revisão constitucional, poderia permitir "regras de jogo limpo", com
oportunidade de diversidade do mapeamento político, sem ferir a
soberania do Estado.
"Num verdadeiro Estado de Direito, governa quem tem aval do povo e
isto se faz através de voto nas urnas, de forma transparente, livre e
justa" defendeu Daviz Simango, criticando o desrespeito desta ferramenta
democrática no país e acusou o Governo de "violar os direitos humanos e
empurrar o país para parte incerta".
Na sua primeira intervenção do ano, Daviz Simango, também membro do
Conselho do Estado - indicado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi -
defende ainda que com os novos órgãos eleitos pode melhorar a
"interferência partidária", que se aprofunda cada vez mais no Estado,
fazendo com que os cidadãos cada vez menos critiquem, denunciem ou
reclamem a violação dos seus direitos.
Contudo Simango deplorou o uso da palavra "paz" como moeda de troca
para manutenção da situação política no país, acrescentando que
Moçambique precisa alcançar uma paz verdadeira "pensando em se educar
para a Paz, mostrando que o espectáculo diário das guerras, das tensões,
das ameaças, das divisões, apenas semeiam dúvidas e quebram a
confiança" entre os intervenientes políticos e a população.
"Infelizmente os gestos de Paz das autoridades governamentais e
daqueles que protagonizam as negociações, continuam irrisoriamente
impotentes para mudar o rumo das coisas, devido a resistência de
introduzir reformas necessárias para a convivência democrata", precisou
Daviz Simango.
Contudo manifestou-se solidário com as vítimas da "intolerância
política", em alusão às mortes, feridos e deslocados dos confrontos
entre a guarda da Renamo (Resistência nacional Moçambicana), principal
partido da oposição, e as forças de defesa e segurança, renovando o
compromisso da sua luta por "Moçambique para Todos".
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, insiste que a partir de Março
próximo vai governar as seis províncias do norte e dentro do país onde
reivindica vitória nas eleições de Outubro de 2014, apesar da Assembleia
da República em duas ocasiões, em Abril e Novembro de 2015 - por
intermédio dos votos da bancada maioritária, a Frelimo (Frente de
Libertação de Moçambique) - ter rejeitado os projectos-lei submetidos
nesse sentido. África 21
Angop
Grande ponto de view..Thanks por compartilhar!
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