quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Líder do MDM defende eleição de governos provinciais em Moçambique e critica governo central

"Num verdadeiro Estado de Direito, governa quem tem aval do povo e isto se faz através de voto nas urnas, de forma transparente, livre e justa" defendeu Daviz Simango, líder do MDM, que acusou o governo de "violar os direitos humanos e empurrar o país para parte incerta".

Beira - O líder do terceiro maior partido moçambicano, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, reiterou nesta terça-feira (05) o apoio à criação de províncias autónomas, com eleição dos governadores provinciais, insistindo que a medida vai introduzir "cultura de responsabilidades" no Estado.
"Moçambique vive uma forte cultura centralista e hegemónica. É preciso contrapor esta mentalidade, para um caminho consensual e uma política correcta", precisou Simango, presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), defendendo que só através do "voto do povo" o importante cargo administrativo poderá ser exercido de maneira democrática.
O também autarca da Beira, afiançou que Moçambique precisa de um Estado "menos centralizado e menos burocratizado", sustentando que a revisão constitucional, poderia permitir "regras de jogo limpo", com oportunidade de diversidade do mapeamento político, sem ferir a soberania do Estado.
"Num verdadeiro Estado de Direito, governa quem tem aval do povo e isto se faz através de voto nas urnas, de forma transparente, livre e justa" defendeu Daviz Simango, criticando o desrespeito desta ferramenta democrática no país e acusou o Governo de "violar os direitos humanos e empurrar o país para parte incerta".
Na sua primeira intervenção do ano, Daviz Simango, também membro do Conselho do Estado - indicado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi - defende ainda que com os novos órgãos eleitos pode melhorar a "interferência partidária", que se aprofunda cada vez mais no Estado, fazendo com que os cidadãos cada vez menos critiquem, denunciem ou reclamem a violação dos seus direitos.
Contudo Simango deplorou o uso da palavra "paz" como moeda de troca para manutenção da situação política no país, acrescentando que Moçambique precisa alcançar uma paz verdadeira "pensando em se educar para a Paz, mostrando que o espectáculo diário das guerras, das tensões, das ameaças, das divisões, apenas semeiam dúvidas e quebram a confiança" entre os intervenientes políticos e a população.
"Infelizmente os gestos de Paz das autoridades governamentais e daqueles que protagonizam as negociações, continuam irrisoriamente impotentes para mudar o rumo das coisas, devido a resistência de introduzir reformas necessárias para a convivência democrata", precisou Daviz Simango.
Contudo manifestou-se solidário com as vítimas da "intolerância política", em alusão às mortes, feridos e deslocados dos confrontos entre a guarda da Renamo (Resistência nacional Moçambicana), principal partido da oposição, e as forças de defesa e segurança, renovando o compromisso da sua luta por "Moçambique para Todos".
O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, insiste que a partir de Março próximo vai governar as seis províncias do norte e dentro do país onde reivindica vitória nas eleições de Outubro de 2014, apesar da Assembleia da República em duas ocasiões, em Abril e Novembro de 2015 - por intermédio dos votos da bancada maioritária, a Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique) - ter rejeitado os projectos-lei submetidos nesse sentido. África 21

Angop

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