Os principais produtos básicos nos mercados informais registaram um
aumento significativo desde a subida dos preços dos combustíveis a 1 de
janeiro de 2016. Os populares mostram-se preocupados com a situação.
A DW África deslocou-se a alguns mercados informais da capital angolana,
Luanda, para constatar “in loco” os preços dos principais produtos
básicos de consumo.
O aumento é assustador comparativamente aos preços anteriores.
O preço da botija de gás butano, por exemplo, varia entre 9 e 18 euros nos mercados informais contra os anteriores 4 euros.
Francisco Agostinho Domingos faz compras no mercado do ASA Branca no
município do Cazenga desde 2011. Conta que, com a subida dos preços dos
combustíveis, a caixa de peixe regista um aumento de mais de 17 euros.
“Naquela altura, a caixa de peixe custava entre 64 e 70 euros. Atualmente está entre os 87 e 94 euros”.
Arroz e óleo alimentar muito mais caros
A subida vertiginosa observa-se também noutros produtos alimentares como arroz e óleo .
Uma cidadã com uma criança ao colo fala com tristeza sobre a subida do saco de arroz de 25kg.
“O saco de arroz está agora a custar o dobro. Deve-se pagar mais de 52 euros. Está insuportável esta situação”.
O preço da corrida de táxi custa oficialmente quase um euro desde
segunda-feira (11.01), altura em que também houve um aumento do preço de
combustível.
A subida do preço de táxi, segundo Lourdes Bendinha, uma revendedora
de mangas, inviabiliza o escoamento dos produtos alimentares do campo
para cidade e, consequentemente, fez disparar os preços dos alimentos
nos mercados informais.
“O táxi, então, já nem se fala. Antes, quem fosse para Kabala pagava 4 a
5 euros, agora paga-se quase 6 euros. Para o transporte de uma caixa de
manga pagava-se 1 euro, agora paga-se 1,75 euros. A caixa de manga era
16 euros, agora, com a subida das corridas de táxi, paga-se entre os 23 e
os 26 euros, varia”.
Sustento da família em perigo
Também uma revendedora de peixe, visivelmente agastada com a situação,
diz que já não consegue sustentar a família com o lucro que retira da
venda ambulante e apela ao Governo para que inverta o quadro.
“O peixe subiu, você vai na zunga e não ganha nada. As vezes só ganha 6
euros. O Governo tem de olhar para isso. Estamos a sofrer", afirma.
Associa-se a esta realidade a subida dos preços de energia elétrica e água potável.
Governo quer deixar de financiar a água e a luz
O Governo quer acabar com o financiamento público na área do
abastecimento de água e de produção de eletricidade, garantindo a
auto-sustentabilidade dos dois sectores, segundo afirmou o ministro da
Energia e Águas, João Baptista Borges.
A posição surge numa altura em que já estão em vigor, desde 1 de
janeiro, novas tarifas em ambos os sectores, com aumentos de preços –
que chegam ao dobro – e alterações nos escalões de consumo, nomeadamente
nos clientes domésticos.
“Os sectores das águas e da energia elétrica têm condições para se
auto-sustentarem. A estratégia a adoptar tem de assegurar que, com
receitas próprias, esses sectores se mantenham em funcionamento,
garantam a execução de investimentos, a operação e a manutenção, sem
necessidade de recurso ao Orçamento Geral do Estado (OGE)”, disse o
ministro, citado pela imprensa.
Os vários aumentos nas tarifas de água e eletricidade, de acordo com
informação do Instituto Regulador do Sector Elétrico, resultam do
processo de transformação do ramo que teve início em 2015, culminando
com a recente aprovação da Lei Geral de Eletricidade, mas salvaguardando
“os clientes com menos rendimentos”.
Só em obras em duas barragens – Laúca e reforço de potência em Cambambe
-, para produção de eletricidade e com entrada em funcionamento prevista
até 2017, o Estado angolano prevê gastar 5,5 mil milhões de dólares de
investimento público. Deutsche Welle
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