sábado, 20 de fevereiro de 2016

Makuta Nkondo: "Angola está vestida de medo"

O comentarista e antigo deputado da Unita Makuta Nkondo exortou a oposição angolana a unir-se para tornar possível a alternância do poder no país.

“Vamos lavar a roupa suja em família,” exortou Nkondo defendendo que que é preciso que as forças da oposição e as organizações da sociedade civil “deixem as querelas”.
Falando no programa “Angola Fala Só”, Nkondo disse contudo não acreditar nas eleições previstas para 2017, porque “a fraude já começou”.
As únicas eleições angolanas que tiveram uma “certa transparência” foram as de 1992, disse Nkondo. Desde então o que houve “são encenações e não eleições”.
“O MPLA tem a faca e o queijo na mão”, disse, fazendo referência ao controlo que este partido exerce sobre a Comissão Nacional Eleitoral e Tribunal Constitucional, que tem o poder de julgar as disputas eleitorais.
Nkondo disse que uma das razões por que em África, em geral, e em Angola, os líderes se recusam a abandonar o poder  é o medo da vingança.
“Muitos desses líderes são como Pol Pot”, disse em referência ao dirigente genocida do Camboja.
No que diz respeito a Angola “o revanchismo é inevitável”.
“Houve muito sangue”, recordou, e recomendou a criação de uma comissão da verdade “para se apurar os crimes” cometidos por todos os partidos.
Nkondo recordou ainda que famílias inteiras foram dizimadas em lutas internas dos três partidos.“Não é só o MPLA, pois na UNITA na FNLA também houve sangue”. Nessa comissão da verdade ou “numa missa” de todas as religiões “os três partidos devem confessar tudo,” sugeriu.
O comentarista angolano disse que uma das razões de Angola não ter mais manifestações é o medo da repreensão, pois os “os angolanos estão vestidos de medo”.
Nkondo manifestou cepticismo quanto a medidas do governo para lidar com a crise financeira, como a promessa de controlar os preços de produtos básicos.
“Estas medidas não têm pernas para andar," disse. Ele deu o exemplo de o pequeno comércio estar a fechar as portas e  empresas que controlam supermercados ameaçam o mesmo.
Nkondo tem dúvidas sobre a crise financeira, e para ele a razão crise é simples: “Dos Santos e a sua família delapidaram o dinheiro do povo (...) a família é uma das mais ricas do mundo (...) a filha que nunca trabalhou é a mais rica de África”. O analista foi interrogado por um ouvinte sobre a recente eleição de Raul Danda para vice-presidente da UNITA.
Nkondo disse ter “dúvidas” sobre o apoio de Danda dentro da UNITA, particularmente sobre a sua possibilidade de ser o próximo líder da UNITA, como interrogou o ouvinte.
“Tenho dúvidas, porque mesmo como vice-presidente não tem consenso,” mesmo ao mais alto nível da liderança do partido.
“Esse é um problema de Isaías Samakuva,” afirmou depois de fazer notar que na UNITA há o principio de que “o líder tem que ser do sul”.
Nkondo disse estar “entre a espada e a parede” quando à possibilidade de ser convocado para testemunhar no julgamento dos activistas acusados de rebelião pelo facto do seu nome ter surgido numa lista de um suposto governo de salvação nacional.
Nkondo reafirmou que não reconhece a legitimidade do tribunal e que o julgamento é “uma palhaçada" e o tribunal "um comité de especialidade de bárbaros".
A lista desse governo de salvação foi criada  "para incriminar os jovens" activistas, disse.
Contudo, Nkondo reconheceu que a sua ausência, se for chamado, pode ser usada para prolongar o julgamento e manter os acusados presos.
Por isso, disse, “estou entre a espada e a parede”. Voz da América

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