"A Renamo é uma organização onde
não há uma hierarquia sequenciada. Muitas vezes não se sabe quem manda e
quem não manda ou quem está acima de quem. Sabemos (apenas) que o líder
é o Dhlakama", disse o chefe de Estado moçambicano.
Maputo - O presidente de Moçambique, Filipe Nyusi,
lamentou "a falta de clareza na estrutura hierárquica da Renamo, algo
que está a dificultar o diálogo entre o governo e a Renamo, o maior
partido da oposição em Moçambique", segundo a agência governamental de
notícias AIM.
Nyusi exprimiu o sentimento no domingo em conferência de imprensa
concedida aos jornalistas que o acompanharam a Adis Abeba, capital
etíope, e que marcou o fim da sua participação na 26 Cimeira de Chefes
de Estado e de Governo da União Africana.
"A Renamo é uma organização onde não há uma hierarquia sequenciada.
Muitas vezes não se sabe quem manda e quem não manda ou quem está acima
de quem. Sabemos (apenas) que o líder é o Dhlakama", disse o chefe de
Estado moçambicano.
"A estrutura da Renamo não permite que se compreenda quem segue quem.
Há muito paralelismo e isso muitas das vezes cria desconfianças dentro
da própria organização e é perigoso", acrescentou o presidente.
"Fazemos o quê na ausência dele?, questionou, para de seguida afirmar
que entre os membros Renamo é possível que cada um pense que é o
segundo ou terceiro na hierarquia daquela formação política, mas que
isso não favorece o diálogo com o governo.
O líder da Renamo não é visto em público desde 9 de Outubro último,
um dia depois de ter fixado residência na Beira, após cerca de duas
semanas em parte incerta algures na província Sofala.
Nesse dia, as Forças de Defesa e Segurança invadiram a residência de
Dhlakama para exigir as armas que se encontravam na posse da sua
escolta pessoal.
Contudo, Nyusi asseverou que o governo vai fazer tudo ao seu alcance
para "falarmos porque temos que falar para resolver o problema do povo. O
povo tem que ter o país em crescimento".
Segundo o presidente, o país tem que estar em paz e deve deixar de ser refém de um grupo de pessoas.
Nyusi disse ainda que se, eventualmente, o governo aceitar as
pretensões da Renamo de governar nas seis províncias onde alega ter
ganho nas eleições gerais de 2014 as pessoas vão dizer que isso não é
democracia, e isso pode dar origem a outros problemas.
"Depois vai aparecer mais um outro partido a dizer que eu concorri e fiz aquilo", disse Nyusi.
Questionado sobre notícias postas a circular pela imprensa nacional e
estrangeira sobre a presença de refugiados moçambicanos no vizinho
Malawi, Nyusi disse que o assunto deveria merecer uma abordagem mais
ampla e minuciosa.
Referiu que a linha de fronteira entre ambos os países não é clara em
determinadas regiões e que muitos cidadãos assumem a nacionalidade
moçambicana ou malawiana em função das suas conveniências de momento.
"Primeiro temos que ter a certeza de quem é o refugiado que entra no Malawi", disse
Afirmou que o Alto-comissário de Moçambique no Malawi está a
acompanhar a evolução dos acontecimentos para tentar esclarecer o
movimento de pessoas ao longo da fronteira "porque não queremos ter o
problema de chamar de refugiados um movimento migratório que é regular".
Explicou que, amiúde, existe um movimento ao longo da fronteira que é
desencadeado por uma série de factores, tais como seca, distribuição de
fertilizantes, entre outros. África 21
Sem comentários:
Enviar um comentário