Os refugiados moçambicanos no Malawi, que fogem à crise político-militar
em Moçambique, pedem um cessar-fogo urgente entre as Forças de Defesa e
Segurança e os homens armados da Renamo, para retomarem as suas vidas.
Milhares de refugiados que chegam ao campo de Kapise, no Malawi
relatam que as forças do Governo quando chegam às aldeias incendeiam as
casas e celeiros e torturam moradores, alegando que a população alberga e
oferece mantimentos a apoiantes da Renamo.
Por isso, muitos condicionam o regresso ao país a um cessar-fogo.
“Há muitas pessoas que perderam a vida, pois a FIR questionava como
você estar aqui, enquantohá homens de Muxungue (da Renamo). Depois
diziam que nós (população) é que fazemos comida para homens da Renamo e
matava pessoas, e para não morrer estamos a fugir, há muitas pessoas que
estão a fugir por causa disso”, relatou à VOA Alberto Passingasse, que
pede um entendimento das partes desavindas.
O jovem de 29 anos, que chegou a Kapise com uma família de sete
membros, disse ter caminhado dois dias para fugir à perseguição e
barbaridades cometidas pelas forças estatais e condiciona o regresso a
um novo acordo de paz.
“Esse dia morreram muitas pessoas, é por isso que ficamos com medo.
Estão a morrer todas estas pessoas depois vamos acabar nós. Só eles
(forças armadas) falharam balas (quando estava a fugir), porque
disparavam para todos a pensar que todos são muxungue (homens da
Renamo)”, contou ainda Passingasse, que vive numa cabana de dois metros
quadrados com toda sua família.
Também Rogério Conselho, um agricultor 60 anos, tenciona voltar a
casa em Ndande, uma região fronteiriça do distrito de Moatize, na
província de Tete, mas lembra que “o que me fez carregar as coisas e
fugir para aqui em Malawi foi a guerra, a guerra da Frelimo”.
O homem, pálido e tenso, observa que se “o Governo de Moçambique e o
partido da Renamo, chegarem a acordo, vou voltar para Moçambique mas com
paz, sem paz não”.
Moçambique alcançou um segundo acordo de paz a 5 de Setembro de
2014, depois de o primeiro em 1992 que pôs fim a uma guerra de 16 anos
em 1992.
Contudo vários incidentes voltaram a ser registados, com acusações
mútuas de perseguição por parte do Governo e da Renamo, incluindo dois
ataques a caravanas do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, e o cerco e
invasão da sua casa na Beira, de onde a polícia levou 16 armas.
A réplica da operação de recolha de armas pelas bases do movimento
provocou uma nova vaga de refugiados (saindo de Moatize) no Malawi, além
de outros milhares de deslocados na Gorongosa e Inhaminga (Sofala), e
Morrumbala (Zambézia), centro de Moçambique e Funhalouro (Inhambane,
sul). Voz da América
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