Organização International Crisis Group colocou Moçambique na lista de
países ou regiões em "alerta de risco de conflito", após a situação
política e militar se ter agravado em fevereiro com registo de vários
incidentes.
A organização International Crisis Group colocou Moçambique na lista de
países ou regiões em "alerta de risco de conflito", após a situação
política e militar se ter agravado em fevereiro com registo de vários
incidentes.
Segundo o relatório mensal da International Crisis Group (ICG), com sede
em Bruxelas, Moçambique figura ao lado do Afeganistão, Chade, Somália,
Turquia, Venezuela e Zimbabué, bem como a região da península da Coreia.
Para a ICG, os acontecimentos ao longo de fevereiro "justificaram" o
agravamento da situação, que começou logo no início do mês, quando a
Renamo, oposição, rejeitou conversações com o Presidente moçambicano,
Filipe Nyusi.
As razões da Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), partido que
reclama vitória em seis províncias do centro e norte do país nas
eleições de 2015, prendem-se com a ausência de garantias de segurança
para o respetivo líder, Afonso Dhlakama.
A 8 desse mês, sustenta o ICG, a RENAMO bloqueou estradas na província
de Sofala (litoral/centro), tendo atacado alguns veículos civis,
provocando vários mortos e feridos, o que levou as forças de segurança
moçambicanas a retomar as escoltas armadas ao longo de um troço de cerca
de 100 quilómetros da Estrada Nacional 1, na mesma região.
A organização não-governamental, que promove a prevenção e a resolução
de conflitos letais, adianta também que elementos afetos à RENAMO
abateram a tiro Manecas da Silva, juiz e secretário da Frente de
Libertação de Moçambique (FRELIMO, no poder) em Sofala.
Refugiados moçambicanos no vizinho Malawi
Por outro lado, a organização International Crisis Group destaca
ainda as operações militares para desarmar "militantes" da RENAMO na
província de Tete, que provocaram um êxodo de refugiados para o vizinho
Malawi, estimados em cerca de 6.000, com a existência de vários pedidos
para investigar queixas de alegadas execuções e abusos sexuais por parte
das forças de segurança.
As análises mensais da ICG têm por base as alterações políticas e/ou
militares internas de cada país, não havendo a intenção de fazer
comparações com outros Estados.
O "alerta de risco de conflito" é atribuído a um país onde a violência
tem ocorrido e que se espera que continue no mês seguinte. O indicador é
definido apenas quando se regista e receia uma nova ou uma
significativa escalada de violência.
ICG existe desde 1995
A ONG International Crisis Group foi fundada em 1995 por um coletivo de
personalidades que lamenta o fracasso da comunidade internacional em
antecipar e responder eficazmente às tragédias ocorridas no início da
década de 1990 na Somália, Ruanda e Bósnia.
Entre os fundadores contam-se Morton Abramowitz, antigo embaixador dos
Estados Unidos na Turquia e Tailândia e, depois, presidente da
instituição Legado de Carnegie para a Paz Internacional, e Mark
Malloch-Brown, antigo presidente do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (PNUD) e, mais tarde, secretário-geral adjunto da ONU e
ministro no Reino Unido.
Segundo os fundadores, a ideia foi criar uma nova organização com
funcionários altamente profissionais, "agindo como olhos e ouvidos do
mundo", para analisar e prevenir conflitos e com poder internacional
suficiente para conseguir mobilizar a comunidade internacional nos
diferentes processos.
Atualmente, a International Crisis Group é reconhecida como líder
mundial de fontes de informação e análises, bem como conselheira de
políticas de prevenção e resolução de conflitos letais. Deutsche Welle
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