quinta-feira, 3 de março de 2016

Produtos mais baratos em Luanda com preços vigiados pelo Governo

Com a crise económica, as prateleiras de muitos supermercados ficaram vazias e os produtos mais caros. Mas parecem estar a baixar desde que o Governo começou a vigiar os preços. A DW África fez uma ronda por Luanda. 

Após a descida do preço do petróleo no mercado internacional, passaram a entrar menos divisas no país. Começaram então as dificuldades em importar produtos e alimentos básicos como arroz, feijão ou açúcar começaram a faltar.
Ao mesmo tempo, os preços dispararam. Entre janeiro e dezembro de 2015, os preços na capital, Luanda, subiram mais de 14%, em termos oficiais. Nos últimos meses, alguns produtos, sobretudo de bens alimentares, chegaram mesmo a duplicar de preço.
Em fevereiro, para travar a especulação de preços, o Governo angolano pôs 32 produtos, como arroz, leite, pão ou tarifas de transportes, numa lista de "preços vigiados". Também foram incluídos serviços como táxis, tarifas de passagem aérea, de transporte rodoviário, marítimo e ferroviário, de passageiros e carga.
Algumas semanas depois da implementação desta medida, já se paga menos por alguns bens alimentares como feijão, açúcar, arroz e farinha de milho. Como a DW África constatou em alguns estabelecimentos comerciais de Luanda, um saco de arroz de 25 quilos, pelo qual era preciso pagar 10 mil kwanzas (cerca de 57 euros), custa agora 5500 kwanzas (cerca de 31 euros). E um quilo de feijão passou a custar 800 kwanzas (4,60 euros).
"Os preços estão a baixar", confirma um dos vários populares encontrados à porta dos armazéns. Agora, esperam também que os produtos voltem a ser comercializados nos preços anteriores - como no tempo em que 2500 kwanzas (pouco mais de 14 euros) chegava para comprar 25 quilos de arroz.

Comerciantes punidos

No Huambo, quatro comerciantes supostamente encontrados a especular os preços dos produtos já estão a contas com a justiça, informaram a Direcção Provincial do Comércio e o Serviço de Investigação Criminal. "Já estão em fase de constituição os processos para que paguem as respetivas coimas ao Estado", disse o inspector do Ministério do Comércio naquela província, Diniz Muenho, aconselha a população a denunciar todos os atos de especulação.
O decreto executivo, assinado a 15 de fevereiro pelo ministro das Finanças, Armando Manuel, era aguardado desde 2011 para permitir a fiscalização policial e acabou por surgir numa altura de aumento generalizado dos preços e escassez de alguns produtos.
Durante um debate televisivo com sob tema "O custo de vida em Angola", o empresário angolano Carlos Cunha mostrou-se agastado com a medida tomada pelo Executivo. Disse ainda que o Governo não pode proibir os comerciantes de alterar os preços pelo facto de não serem eles os causadores da inflação no país. "Não me parece salutar nem recomendável este ataque que estão a fazer aos empresários. Não fomos nós que criamos a crise em Angola". Deutsche Welle

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