quinta-feira, 7 de abril de 2016

MULHER MOÇAMBICANA: Entre conquistas e desafios

O PAÍS comemora hoje o Dia da Mulher Moçambicana. Trata-se de um momento de festa pelas conquistas obtidas ao longo de décadas de luta pela sua emancipação, mas também de desafios por aquilo que ainda resta por fazer.
Na verdade, estas comemorações acontecem numa altura em que a mulher ainda enfrenta diversos constrangimentos, nomeadamente a violência doméstica, violação e assédio sexual, a fraca participação nos processos políticos, dificuldades no acesso à educação, baixo poder de decisão no contexto sócio-familiar, a pobreza e a feminização da Sida, entre outros.
Por isso, celebrar o 7 de Abril é mais do que assinalar uma efeméride. É, acima de tudo, um momento de reflexão sobre a necessidade de um maior envolvimento da mulher no processo de desenvolvimento, que passa necessariamente pela igualdade de oportunidades no acesso ao trabalho, à educação e aos órgãos de tomada de decisões, a todos os níveis.
As estatísticas continuam a indicar uma situação da feminização da SIDA, concorrendo para este facto o deficiente acesso à informação pela mulher, o analfabetismo, a pobreza, questões culturais, a fraca capacidade de negociação do sexo seguro com o seu parceiro, entre outros factores que a tornam vulnerável.
Estatísticas da Saúde dão conta que 11 mulheres morrem por dia devido a complicações de gravidez e parto e poucas são ainda as pessoas que prestam maior atenção ao planeamento familiar. Os dados referem-se também a casamentos prematuros, envolvendo meninas de tenra idade, cujos órgãos ainda não estão preparados para conceber um outro ser.
Por seu turno, as taxas de analfabetismo em Moçambique continuam altas (44,9 por cento), sendo que a maioria da população analfabeta são mulheres (57,8 por cento).
Todavia, não obstante esta situação que ainda interfere na luta pela emancipação da mulher no nosso país, há resultados visíveis no combate ao analfabetismo, fruto do trabalho que vem sendo feito pelos alfabetizadores e educadores, que não medem esforço no seu dia-a-dia, enfrentando, com coragem e determinação, o combate a este fenómeno que ainda assola grande parte da nossa população.
Também é notória a presença, cada vez mais crescente, da mulher no poder legislativo, que tem uma mulher à frente. Estatísticas mostram que na presente Legislatura, dos 250 deputados, 96 são mulheres, o que corresponde a 38,2 por cento. Aliás, Moçambique é um dos poucos países africanos que já teve uma mulher a desempenhar as funções de primeira-ministra. Para além de ministras, vice-ministras e governadoras (três) no Governo, dirigido pelo Presidente Filipe Nyusi, tem um número considerável de mulheres nos postos de tomada de decisão a todos os níveis.
Alguma visibilidade também se tem notado em diferentes sectores de actividade, o que é encorajador. O nosso país é um dos signatários do Protocolo da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) sobre a igualdade de género. Este facto surge como impulsionador do trabalho que Moçambique tem vindo a levar a cabo no sentido de reduzir as desigualdades entre homens e mulheres.
A todas as mulheres moçambicanas, pelo seu dia, mais do que uma flor, endereço-lhes força nesta batalha em prol dos seus direitos. Notícias

Delfina Mugabe

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