quarta-feira, 6 de abril de 2016

Rafael exige responsabilização pelo colapso do sistema de saúde

Activista esteve em Washington para contactos com autoridades americanas.

Mais angolanos estão a morrer hoje vítimas do colapso do sistema de saúde do que durante o período da guerra, denunciou o activista e jornalista Rafael Marques nesta terça-feira, em entrevista à VOA aqui em Washington.

“Continuamos a fingir que está tudo bem para defender o quê?”, interrogou Marques que respondeu dizendo que "para defender o Presidente e o saque que tem estado a impulsionar para o enriquecimento da sua família e dos seus amigos”.
“Como cidadão angolano é meu dever denunciar para que se ponha termo a essa situação e que haja o mínimo de respeito pela dignidade humana em Angola”, acrescentou o activista que recordou o seu recente trabalho de denúncia sobre a situação numa das morgues da capital em que familiares têm que lavar os corpos dos seus parentes no chão do pátio sem condições higiénicas.
“Nem água temos para lavar os mortos e mesmo ao lado temos uma Assembleia Nacional que custou mais de 350 milhões de dólares, com um custo de manutenção mensal de 1,7 milhão de dólares e não há dinheiro para comprar luvas e máscaras cirúrgicas para os funcionários da morgue”, denunciou o activista para quem é impossível “conviver com isso , achar que é normal e que estou a defender o meu pais mantendo-me calado e em silêncio”.
Marques lembra que "há mais pessoas a morrer por causa deste silêncio cúmplice do que se estivéssemos a denunciar esta situação de forma vigorosa e a exigir responsabilidade criminal daqueles que estão a promover essa situação no país”.
O activista recordou que numa anterior visita a Washington tinha sido apelidado de mentiroso num debate com um embaixador angolano quando disse que o Governo pouco estava a fazer para melhorar o sistema de saúde angolano.
“Estamos a ver agora a crise que temos”, disse, o também jornalista que afirmou ter contado 235 corpos a saírem da morgue em cinco horas”.
Em Washington, Rafael Marques manteve encontros no Departamento de Estado e no Congresso.
No Departamento de Estado a questão principal em discussão foi a recente condenação dos 17 activistas e o que disse ser o modo como o Governo angolano usa o sistema judicial para perseguir activistas.
No Congresso Marques discutiu o modo como os legisladores americanos podem manifestar a sua preocupação com a realidade angolana.
O activista sublinhou no entanto que “em última instância cabe a nós como cidadãos angolanos resolver a actual crise porque passamos”. Voz da América

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