domingo, 22 de maio de 2016

Crise afecta cesta básica angolana

Analistas defendem melhoria do salário da função pública face ao fraco poder de compra dos cidadãos.

Crise económica e financeira agrava situação das famílias angolanas mais desfavorecidas. Analistas defendem melhoria do salário da função pública face ao fraco poder de compra dos cidadãos.

São vários os cortes já feitos pelo Executivo angolano nas receitas e despesas do país para o presente ano económico. O objectivo é ajustar as contas ao actual contexto de crise resultante da queda do preço do petróleo no mercado internacional.
As facturas da energia eléctrica e da água foram aumentadas acima dos 10 por cento numa altura em que está em curso um estudo sobre a taxa a ser aplicada pela recolha do lixo. A subida dos bens de primeira necessidade e não só, não foi acompanhada pelo reajustamento do salário da função pública que nos últimos tempos tem registado algum atraso. Este aspecto, na visão do economista Josué Chilundulo é “o mal maior” desta situação, numa altura em que o ordenado mínimo nacional está calculado em 18 mil kwanzas.
Dívida pública angolana ultrapassou o tecto legal O académico socorre-se do adágio popular “Quando se tem um morto sobre a mesa o mais importante não é como morreu, mas como se vai enterrá-lo”, para explicar que esta situação peculiar da economia angolana resultou de certa desestruturação económica e que por agora precisa mais de soluções que análise das causas.
Chilundulo recorda que no país, o Estado e o sector privado, são os únicos que garantem emprego. Porém neste binómio, apesar das parcerias, o privado tende a sofrer com a crise, pois o Estado, que não tem capacidade de pagar os serviços, é a sua principal fonte de receita.
A não resolução dos problemas de assimetrias revela uma alegada insensibilidade do Estado em relação ao “infortúnio do povo”, o que na opinião da deputada da UNITA, Mihaela Webba, está a “estragar o país”.
A parlamentar referiu por outro lado que esta situação, só se poderá resolver com a alternância do poder em 2017, sendo que para isto os eleitores deverão virar as suas apostas na oposição.
“Isto só se resolve com uma nova forma de governação e com novos líderes a governarem comprometidos em fazer o bem ao próximo”, disse.
A par da queda do preço do petróleo, Angola também regista a escassz de moedas estrangeiras, sobretudo o dólar, que está a ser comercializado a 680 kwanzas cada nota de um dólar, no mercado informal. Este é o valor mais alto alguma vez já registado na história económica do país. Em consequência da desvalorização do kwanza, o preço dos principais produtos registam uma subida “vertiginosa”, o que não foi compensado com a actualização dos salários da função pública.
A deputada Mihaela Webba denuncia que a actual cesta básica é apenas composta por nove produtos, diferente da proposta feita pela UNITA, que há alguns anos indicava 15 produtos.
Para sair desta situação, a contenção de gastos, sobretudo os supérfluos com viaturas topo de gama e outras deve ser imperativo. Ler+

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