quinta-feira, 5 de maio de 2016

Mais de 250 personalidades unem-se pela libertação dos ativistas angolanos

Ana Gomes, João Semedo, Pacheco Pereira, José Eduardo Agualusa, Pilar del Río, Ricardo Araújo Pereira e Sérgio Godinho entre os promotores da sessão pública contra a repressão em Angola

"É contra esta violência política que nos mobilizamos de forma tão representativa e plural. (...) Não me recordo nos últimos anos de uma manifestação desta natureza tão expressiva." É desta forma que o médico e ex-coordenador do Bloco de Esquerda (BE) João Semedo se refere, em declarações ao DN, à sessão pública "Em defesa dos direitos políticos e pela libertação dos 17 ativistas angolanos", que terá esta quinta-feira lugar no Fórum Lisboa e que foi convocada por mais de 250 personalidades.
"Mais de 250 políticos, jornalistas, artistas e intelectuais juntaram-se para prestar solidariedade aos 17 jovens angolanos perseguidos e detidos pelas autoridades angolanas e reclamarem a sua absolvição e libertação", prossegue Semedo, um dos membros da comissão organizadora do evento, da qual fazem também parte, entre outros, as eurodeputadas Ana Gomes, Edite Estrela (ambas do PS) e Marisa Matias (BE), o historiador social-democrata José Pacheco Pereira, os deputados Jorge Costa (BE), Sónia Fertuzinhos e Isabel Moreira (ambas PS), os escritores José Eduardo Agualusa, Lídia Jorge e Dulce Maria Cardoso, o músico Sérgio Godinho, o humorista Ricardo Araújo Pereira ou a jornalista Pilar del Río.
Mas a lista de participantes contra a decisão da Justiça angolana de condenar o luso-angolano Luaty Beirão e os restantes 16 ativistas a penas de prisão efetiva entre dois e oito anos é bem mais extensa. E chega de quase todos os setores. Ana Zanatti, Anselmo Borges, António Arnaut, António Pedro Vasconcelos, António Sampaio da Nóvoa, Catarina Martins, Capicua, Eduardo Lourenço, Francisco Louçã, Gonçalo M. Tavares, João Galamba, João Salaviza, João Soares, José Diogo Quintela, José Tolentino Mendonça, Manuel Carvalho da Silva, Marçal Grilo, Maria do Céu Guerra, Mário de Carvalho, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Sousa Tavares, Raquel Vaz Pinto, Rita Ferro Rodrigues, Rosário Gama, Rui Reininho, Rui Vieira Nery, Rui Zink, Sérgio Tréfaut, Teresa Villaverde ou Valter Hugo Mãe são apenas alguns dos exemplos.
Questionado sobre o facto de a iniciativa poder surgir como resposta ao facto de o Parlamento português ter chumbado dois votos de condenação pela repressão do regime de José Eduardo dos Santos, João Semedo responde que "inconformismo, sim, mas perante a violação de direitos políticos fundamentais em Angola". "O problema não está no nosso Parlamento por muito lamentável que tenha sido a posição dos deputados da direita e do PCP", completa o ex-deputado.
E, de imediato, torna mais duras as críticas ao realçar que "é uma evidência que [em Angola] não estão garantidos os direitos e as liberdades que fazem um regime e uma sociedade serem uma democracia". "E não é difícil identificar outros elementos próprios das ditaduras como, por exemplo, a permanência de José Eduardo dos Santos na Presidência da República vai para 38 anos", atira ainda Semedo.
Às críticas tecidas ao regime de Luanda, Semedo acrescenta um remoque ao Governo português: "Cumpriu os mínimos democráticos. Julgo que seria justificada uma atitude mais empenhada e clara. Houve diplomacia a mais e coragem política a menos."
Já quanto ao PCP, que ficou ao lado do PSD e do CDS nas votações na Assembleia da República - as três bancadas posicionaram-se contra -, e que já tinha merecido uma farpa no Twitter por parte da líder bloquista, Catarina Martins, Semedo demonstra não estar surpreendido. E é duro.
"O PCP é demasiado previsível para me surpreender. Gostava mas não acreditava que tivesse outra posição. Há muito que o PCP faz sua a voz oficial da ditadura angolana. É incompreensível vindo de um partido que tanto apelou e usufruiu da solidariedade internacional contra a tortura e as longas penas de prisão a que a ditadura fascista sujeitou tantos dos seus dirigentes e militantes", afirma o médico, antes de utilizar o habitual argumentário comunista para apontar o dedo ao partido liderado por Jerónimo de Sousa: "Felizmente, nesse tempo houve quem, fora de Portugal, tivesse tido a lucidez e a coragem necessárias para se 'imiscuir nos assuntos internos' do regime de Salazar e Caetano."
A convocatória, essa, recorda os motivos das "pesadas penas de prisão" aplicadas aos 17 ativistas, acusados dos crimes de atos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores por terem lido o livro "Da ditadura à democracia", de Gene Sharp. Diário de Notícias

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