sexta-feira, 27 de maio de 2016

O que ganham o FMI e o Banco Mundial em emprestar o seu dinheiro a Moçambique?

Uma missão do Fundo Monetário Internacional(FMI) está a caminho de Moçambique em Junho, após suspender no mês passado o seu apoio financeiro devido aos empréstimos da Proindicus e da MAM que o Governo tentou esconder. Mas o que parece ser uma notícia menos má é problematizada por João José Uthui, afinal o que é que as chamadas instituições de Bretton Woods, o FMI e o Banco Mundial(BM), ganham em emprestar-nos o seu dinheiro? De onde vem esse dinheiro? “Retiram daqui”, através de “modelos económicos desenhados para perpetuar a dependência”, esclarece o professor universitário.

“O pensamento lógico é que não há investimento para não se ganhar nada” começa por explanar o nosso entrevistado, que é Conselheiro do Grupo Moçambicano da Dívida, quando questionado sobre que benefícios obtêm o FMI e o BM quando colocam os seus fundos, muitos deles a título de doação ou empréstimos com juros bonificados, à disposição de vários Países do globo.
Sem querer dar uma resposta cabal João Uthui faz uma analogia a relação entre um pai e os seus filhos, “para o meu filho não olho a quantidade de dinheiro, tempo e esforço mental que eu invisto, nem interessa o lucro, basta que eu tenha garantia que ele vai crescer e desenvolver posso morrer”.
Porém Uthui clarifica que o “FMI não é o nosso pai”, e explica que a partida estas instituições, chamadas de Bretton Woods – em alusão ao local onde em 1944 decorreu a conferência onde foram estabelecidas as directrizes para uma nova ordem económica internacional sob a hegemonia do dólar norte-americano e que culminou com a criação de duas instituições voltadas para tentar alcançar esse propósito, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento ou Banco Mundial -, são financiadas pelos seus membros, que são vários Estados existentes no globo. Contudo estas instituições financeiras assumiram “um outro nível, um nível de hegemonia política”.
“Onde elas (FMI e BM) se implantam têm força de impor inclusivamente o tipo de Presidente que está lá, mas não é porque esse governante vai favorece-los, há-de abrir caminhos para eles explorarem o lado financeiro que eles querem. Então é melhor pormos ali aquele Presidente, dar-mos mordomias que ele próprio não porque sabemos que quando ele abrir o mercado para nós entrarmos renderemos três vezes mais, é um investimento. É igual a um investimento de uma pai para o filho”, afirma o docente de Filosofia.

FMI e Banco Mundial “têm economistas bem pagos para estudarem os mercados todos os dias”

No entanto João Uthui acrescenta que quando num desses Países surge um líder que é visionário mas essa visão barra o mercado financeiro que interessa ao Fundo Monetário ou ao Banco Mundial implantar, “se por via negocial não lhe convencem então criam um tumulto para ele sair, um golpe de Estado vão financiar, metem no povo um ópio (vício) pegando uma verdade, porque o ópio tem que ser verdadeiro, alastra-se e o povo levanta-se para aquele senhor sair e fazem tudo para outro entrar porque o novo vai abrir o mercado, e eles entram e ganham o mercado financeiro”, esclarece o académico enfatizando que estas instituições financeiras não só ditam as regras da economia mas influenciam em tudo afinal “eles têm economistas bem pagos para estudarem os mercados todos os dias. Para criarem modelos de desenvolvimento todos os dias, para proibirem onde eles acham que está a ser feito investimento de graça”.
Solicitado a clarificar com exemplos mais práticos a sua tese João José Uthui socorre-se de alguma retórica afirmando que tanto o Fundo Monetário Internacional assim como o Banco Mundial “não são as paredes, são pessoas, que têm salários, têm todas as mordomias. Acha que vem de onde esse dinheiro para eles terem tudo isso, se não ganham nada e só dão dinheiro? Eles estão a emprestar dinheiro, de onde vem esse dinheiro, é de quem?
“Tem que haver fonte para vir dinheiro para eles, tem que haver dinheiro para pagar toda a gente que faz com que aquele dinheiro entre ali e tem que haver fontes para continuar a vir mais dinheiro. Essas fontes são quais”, questiona ainda o académico que responde com outras questões, “Porque o FMI e o Banco Mundial não saem para vender sacos de arroz, não é dos impostos naturalmente, de onde é que vem?” Ler+

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