quarta-feira, 8 de junho de 2016

Tensão política desloca 15 famílias no Centro do país

Famílias percorrem 100km a pé para encontrar segurança 

A zona Centro do país é sobejamente conhecida como sendo o epicentro dos confrontos militares entre as tropas governamentais e o braço armado da Renamo. Em consequência disso, há uma vaga de deslocados que, temendo o pior, deixam as suas residências para se fixarem em zonas mais seguras. O mais recente episódio deu-se na localidade de Nhamapadza, distrito de Gorongosa, em Sofala.
A nossa equipa de reportagem colheu histórias de famílias inteiras que dizem ter percorrido mais de 100km a pé, saindo de Gorongosa até ao distrito de Gondola, na província vizinha de Manica, à busca de refúgio. Antes de mais, os nossos entrevistados descreverem o cenário como sendo de tensão na zona de Nhamapadza, onde já foi introduzida uma coluna militar para escoltar as viaturas de transporte de passageiros e particulares daquele ponto até ao distrito de Caia/Manica.
“Saímos de Nhamapadza. É difícil viver lá devido à guerra. Dormíamos nas matas”, abreviou Anita Rendição, em contacto com o nosso jornal. Rendição disse ter saído na companhia de seus três filhos e pela mata adentro caminhou até à vila de Gorongosa, tendo atravessado o rio Púnguè. O destino final era a zona de Mucorodzi, em Gondola.
O percurso foi de cerca de 100km, a pé, durante três dias.
À semelhança de Anita Rendição há mais 15 famílias, perfazendo cerca de 75 pessoas. Voltar às zonas de origem não faz parte dessas pessoas, enquanto o cenário de confrontação continuar.
O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC) já disponibilizou uma lona para cobrir um alpendre que alberga as famílias em causa e está a abastece-las em alimentos.
“Está-se a trabalhar a nível central para mobilizarmos recursos, refiro-me a cereais, assim como legumes. Além disso, temos aquilo que resulta da solidariedade interna”, disse o delegado do INGC em Manica.
O INGC refere ainda que tem havido muita contribuição de pessoas de boa-fé, que não só estão a apoiar os deslocados da tensão político-militar, mas também pessoas afectadas pela fome que assola a província de Sofala e alguns distritos de Manica, com destaque para Mossurize, Machaze, Báruè e Macossa, neste último onde as populações recorrem aos frutos silvestres para a sobrevivência. O País

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