quarta-feira, 20 de julho de 2016

Guiné Equatorial na CPLP é uma fraude jurídica e moral, diz Corsino Tolentino

O académico cabo-verdiano afirma que foi um erro a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa admitir a Guiné Equatorial.

Praia - O analista e académico cabo-verdiano André Corsino Tolentino defende que a comunidade lusófona errou ao admitir a Guiné Equatorial como membro de pleno direito, considerando a entrada do país para o bloco lusófono uma "fraude jurídica e moral".
"Não seria honesto se dissesse que não se errou admitindo a Guiné Equatorial e que a Guiné Equatorial poderá trazer vantagens que compensem as desvantagens. Foi um erro, um erro evitável porque teria bastado discutir a questão", disse Corsino Tolentino, em declarações à agência Lusa a propósito dos dois anos da entrada da Guiné Equatorial, o primeiro país de língua oficial não portuguesa a ser admitido como membro de pleno direito na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Corsino Tolentino lamenta que não se tenha discutido em nenhum dos países membros uma "alteração violenta, uma fraude jurídica e moral" da carta da CPLP. "Fez-se passar o assunto como se de uma fraude se tratasse", sublinhou.
"Não vejo que venha a haver recuperação. A pena de morte continua na Constituição, a tendência para o reforço da ditadura mantém-se, a língua portuguesa não é língua oficial e não há condições para se transformar e se introduzir uma nova língua e torná-la oficial", declarou ainda Corsino Tolentino.
O também embaixador jubilado, entende que não havia condições para a admissão da Guiné Equatorial na comunidade lusófona e que a sua entrada foi uma demonstração de que "falta o mínimo de honestidade" em determinadas decisões no âmbito da organização.
Com a adesão da Guiné-Equatorial, entende Corsino Tolentino, a CPLP abandonou também dois dos seus princípios básicos: ser uma comunidade de países de língua portuguesa e tendentes para a democracia e a liberdade.
"Admitiu-se um país como membro de pleno direito, abandonando o princípio da língua portuguesa e a Guiné Equatorial é um país que toda a gente sabe não tende para a liberdade e para a democracia. Houve uma violação frontal de dois princípios básicos", disse à Lusa. África 21

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