sábado, 9 de julho de 2016

Moçambique: Prostitutas querem clínica noturna

Em Inchope, o principal cruzamento económico na província moçambicana de Manica, junto ao corredor da Beira, várias prostitutas que trabalham na zona clamam pela criação clinicas noturnas exclusivas para as atender.

Quando cai a noite, vários camiões de carga perfilam nos quatro longos corredores do Inchope, para cruzarem no dia seguinte para o porto da Beira, no Oceano Indico, ou para o interior dos paises africanos.
É então, que as chamadas profissionais de sexo entram em acção, negociando junto aos camiões ou nos minúsculos quartos de caniço onde vivem.
“Nós queremos uma clínica nocturna, ou seja, uma clínica aberta no nosso horário de serviço porque de dia ficamos a dormir e não podemos aceder aos serviços de testagem”, disse à VOA, Shiara Muchepo, uma trabalhadora de sexo zimbabweana.
Uma iniciativa da Organização da Mulher Educadora de Sida (OMES), uma organização não governamental em Manica, instalou clinicas noturnas em 2010, incluindo na fronteira com o Zimbabwe, exclusivamente para atender as trabalhadoras de sexo e os seus clientes, mas o projecto abrandou com o arrefecimento dos financiamentos na área da Sida.
“A vergonha de sermos reconhecidas durante o dia nos serviços de testagem retrai muitas de nós nas ATS (Atendimento e Testagem de Saude), e seria adequado termos serviços que possam nos atender à noite”, declara Isabel, que prefere o anonimado, salientando que muitas trabalhadoras de sexo e os clientes não sabem o seu estado de saude.
Como causas da prostituição, apontam-se as dificuldades financeiras, que tornam as mulheres mais vulneráveis ao HIV naquele ponto do país.
Num relatório divulgado em Junho, a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou para a propagação de casos de HIV no Corredor da Beira, no centro de Moçambique, devido aos elevados níveis de prostituição na zona.
A organização não-governamental mostra-se preocupada com a propagação do vírus, potenciada pelos elevados níveis de prostituição naquela via rodoviária.
Em entrevista à VOA, o coordenador da MSF na Beira, Christophe Cristin, disse que a organização está preocupada com a seroprevalência de HIV numa população especifica no corredor.
“É importante ter uma abordagem especifica para esta população para ter um impacto sobre a população em geral”, precisou Cristin, acrescentado que eleva-se a vunerabilidade da doença sobre prostitutas, homens que têm sexo com pessoas do mesmo sexo, usuários de drogas e presos, devido à sua marginalização e a falta de mobilidade dos serviços.
Através do projeto "Corredor", a MSF têm desenvolvido uma acção junto das prostitutas e seus clientes, procurando sensibilizá-los para a prevenção.
Segundo a MSF, não basta apenas "promover o uso do preservativo, mas também aumentar a disponibilidade dos antiretrovirais e o seu acesso a grupos vulneráveis", pois só um "uso combinado destes métodos" poderá "reduzir drasticamente a transmissão do vírus".
Estatísticas oficiais moçambicanas indicam que 1,6 milhões de pessoas estão infectadas com Sida no país, mas apenas 640 mil procuram tratamento e mais de um terço abandonam-no logo no primeiro ano. Voz da América

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