sábado, 20 de agosto de 2016

Unita acusa PCP de ingerência nos assuntos internos de Angola

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) repudiou a mensagem apresentada por Rui Fernandes, do Partido Comunista Português (PCP), no congresso do MPLA, partido no poder em Angola.

Luanda - A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), o maior partido da oposição angolana, repudiou, sexta-feira (19), nos "termos mais enérgicos" a mensagem apresentada por Rui Fernandes, do Partido Comunista Português (PCP), no congresso do MPLA, partido no poder em Angola.
A reação da UNITA surge na sequência de uma referência que o representante do PCP fez àquele partido angolano na sua mensagem ao VII congresso ordinário do MPLA,  que decorre em Luanda desde quarta-feira e termina no sábado, informa a agência Lusa.
A mensagem do PCP destacava a solidariedade com Angola "na sua luta pelo fim do colonialismo português, pelo fim da agressão do 'apartheid' da África do Sul, pelo fim da ingerência do imperialismo e da ação criminosa da UNITA, pela conquista da paz e pela reconstrução do país".
Em comunicado, a UNITA lembrou que foi o PCP que "arquitetou a violação dos Acordos de Alvor, celebrados entre Portugal, então potência colonial, e os três movimentos de libertação nacional de Angola, ocasionando o fracasso do processo de descolonização de Angola e dando origem à guerra civil que devastou o país por longos anos".
O documento acrescenta que num ato de coragem e maturidade patrióticas, os irmãos angolanos antes desavindos assumiram a responsabilidade histórica de pôr fim ao conflito que os opunha, proporcionando ao país e ao seu povo a oportunidade de viver em paz e reconciliados.
O maior partido da oposição angolana sublinha que é parte signatária dos Acordos de Bicesse, celebrados com o Governo de Angola, em maio de 1991, que abriu caminho ao multipartidarismo, além do Protocolo de Lusaca e do Memorando de Entendimento do Luena, que puseram fim à guerra civil angolana.
A UNITA entende que as declarações de Rui Fernandes em relação ao seu partido, que "procura com muito sacrifício manter e consolidar a paz e o espírito de reconciliação nacional, são uma ingerência inaceitável nos assuntos internos de um país independente, bem como um atentado à soberania e uma posição instigadora de novos conflitos".
A terminar, a UNITA reitera o seu posicionamento favorável à manutenção das boas relações de amizade, irmandade e cooperação com o povo português e com as suas instituições democráticas.
"A UNITA não tolerará nunca que agentes do mal, que estiveram na base do conflito que dividiu os angolanos procurem, outra vez, semear discórdia, inviabilizando a felicidade e o bem-estar da maioria dos angolanos", lê-se no documento.
Na sua mensagem, o PCP manifestou-se solidário com o MPLA na defesa da soberania, da integridade territorial, da unidade e independência do país, da paz, dos direitos e do progresso social do povo angolano, rejeitando operações de desestabilização contra Angola, considerando que cabe ao povo angolano decidir soberanamente do seu presente e futuro liberto de quaisquer ingerências externas. África 21

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